<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221</id><updated>2012-02-16T00:13:17.368-08:00</updated><title type='text'>luc. fortunato corações perfeitos club band</title><subtitle type='html'>poesia, crônica, crítica, pensamento, não, não, interrogações sobre o amor, sim, o amor, sim, a dúvida, sim, sim, e sobre... e incluindo...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-8905739950434407285</id><published>2010-10-21T07:09:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T07:18:38.932-07:00</updated><title type='text'>GÊNESE DO MAL?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Incômodas questões sobre o “nazi-fascismo” levantadas pelo filme A Fita Branca&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/TMBLci-VOBI/AAAAAAAAAKY/8L8jsxnQTmw/s1600/a+fita+branca+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/TMBLci-VOBI/AAAAAAAAAKY/8L8jsxnQTmw/s320/a+fita+branca+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530503296207632402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     Hitler é, provavelmente, a figura mais satanizada da história contemporânea. Nele foi centrada a figura do mal absoluto, tipificada em um único homem. É este o senso comum que perdurou por muitos anos – e ainda resiste. Como se o líder carismático que ele foi tivesse um poder inigualável de atrair simpatizantes ao seu projeto nazi-fascista, justificando-o inquestionavelmente. Como se os militares e civis a ele subordinados tivessem sido inevitavelmente manipulados. Como se a eficaz máquina de propaganda do partido nazista no poder tivesse feito uma lavagem cerebral no povo alemão, ocultando deste a barbárie. Como se a população alemã fosse inocentemente manobrada pela inteligência nazista. E mais. Muitos têm a ilusão de que a xenofobia e os campos de concentração e de extermínio foram uma invenção alemã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Este tipo de visão foi a mais aceita pelo grande público durante muitos anos, e isto, em alguma medida, conveio a muitos interesses nacionais, como defende uma nova historiografia que associa a existência do fascismo às premissas nacionalistas. A busca pelas raízes do nazismo no fascismo – não apenas no fascismo italiano, mas no fascismo como um sentimento nascido com os nacionalismos de um modo mais abrangente – sempre foi algo relegado a um plano de importância menor, quando não ao esquecimento. O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro levanta diversas questões acerca do tema em seu artigo Os Fascismos (Coleção “O século XX”, da Editora Civilização Brasileira). O professor defende a idéia de que não houve “o fascismo” (italiano, influenciando o nazismo alemão), mas sim vários fascismos, ao longo de várias épocas. As origens do fascismo teriam sido negligenciadas, e ainda, o próprio fascismo como se popularizou na Itália e Alemanha, teria passado, pós Segunda Guerra e pós Holocausto, por um tipo de esquecimento conveniente a vários setores de direita, desconsiderando-se e ocultando a continuidade do pensamento fascista, que acabou se revelando nos anos oitenta com a exposição na mídia de grupos fascistas em vários países. Ele diz que “grande parte da busca pelo esquecimento, ao lado de uma loquaz condenação quase que exclusiva ao que denominavam de hitlerismo (versão restritiva, personalística e exclusivamente alemã do fascismo), coube à historiografia ocidental”. Para Teixeira da Silva os historiadores tenderam a uma visão superficial do assunto, pois no momento imediatamente ao pós-guerra o tema dominante passaria a ser a Guerra Fria, objeto de atração inevitável de grande parte dos estudos em história que contemplavam a dicotomia capitalismo-comunismo. E, mais do que isso, escreve ele em seu artigo, “aos interesses estratégicos dos Estados Unidos, a primeira versão da história do fascismo, apaziguadora e restritiva, interessava diretamente na medida em que se contrapunha a uma das estratégias básicas dos comunistas: a tentativa de monopolizar e manter mobilizada a resistência, ou, ao menos, a resistência armada ao fascismo”. Pior. O fascismo não só passou por um período de esquecimento, como até mesmo “os Estados Unidos atenuavam a legislação sobre a desnazificação, restringindo-a apenas aos Hauptschuldige, os principais culpados (nos crimes do nazismo) e dispensando os comprometidos (Belastete), os comprometidos menores (MInderbelastete) e os seguidores (Mitläufer)”. Essa atenuação das punições acabaria, em pouco tempo, por transformar quase todos os envolvidos nos crimes de guerra praticados, em meros seguidores do nazismo passíveis de penas menores, como se quase-inocentes fossem. Desta forma, muitos seguidores do nazismo foram inocentados. O que motivou tal processo de absolvição é ainda uma incógnita e potencial objeto de pesquisa. O diretor e roteirista Michael Haneke, em seu filme A Fita Branca (Das Weisse Band) – premiado em 2009 com a palma de ouro em Cannes e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e de melhor fotografia, feita de belíssimas imagens em preto e branco – fez em seu longa um estudo sobre a “inocência” alemã que antecedeu a Primeira Guerra Mundial e, claro a conseqüente ascensão do partido nazista. Indo, desta forma, além do que estamos habituados a ver no cinema sobre o nazismo: tramas ambientadas na Segunda Guerra Mundial. Em A Fita Branca a trama se passa às vésperas da Primeira Guerra, onde as sementes fascistas do nazismo já estavam cuidadosamente – ou inadvertidamente – bem plantadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A crítica cinematográfica internacional parece ter sido unânime ao laurear o filme por sua técnica. E, de fato, ela é impressionante. A fotografia usa e abusa de variações: ora longos planos abertos, com câmera estática em tripé, ora o uso de movimentação dinâmica que acompanha os passos de um personagem, mesmo na escuridão total, num preto e branco que deixa tudo tão distante, em contraste com os close-ups e o grande trabalho de todo o elenco, que deixa tudo tão próximo e íntimo do expectador: todo o elenco está irrepreensível. É um filme primoroso em quase todos os possíveis aspectos da arte cinematográfica. O mesmo unânime prestígio A Fita Branca não parece gozar ao lado de historiadores e sociólogos, que, pelo que li, dividiram opiniões. Há quem tenha visto no diretor a intenção de “germanizar” o fascismo, restringindo sua visão histórica. Há quem identifique na trama uma tentativa de explicação psicológica, baseada em traumas infantis (sofridos pelas crianças alemãs personagens do filme), para explicar o nazismo e o holocausto – o que novamente entra em desacordo com alguns historiadores, pois há uma idéia de que não se deve explicar eventos sócio-políticos que envolvem toda uma nação, ou mais nações, a partir do ponto de vista individual, numa ótica de transferência de repressão, que é objeto da psicanálise. Para a História, uma análise psicológica dos acontecimentos não é normalmente bem aceita. Não tenho eu a intenção de fazer parte deste julgamento. Eu teria que perguntar a ele (o austríaco Michael Haneke), por exemplo, o que o motivou a fazer um filme ambientado na Alemanha do começo do século XX. Bem... Ele poderia me responder que se sua intenção era fazer um filme sobre o nazismo a ambientação não poderia dar-se de outra forma – e isso foi, inclusive, amplamente divulgado. O narrador no início do filme faz essa menção em sua fala, deixando bem claras as intenções do filme: “os eventos que se passaram ali, naquele vilarejo, no início do século, são de extrema importância para se compreender os eventos dramáticos que aconteceriam na Alemanha décadas depois”. Esta chamada, utilizando-se o recurso de um narrador deslocado, deixa bastante claro o direcionamento pretendido pelo diretor, e penso que se não fosse ela, provavelmente, muitos espectadores jamais saberiam que o tema de A Fita Branca é o nazi-fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     A aldeia retratada (no filme que é uma ficção com roteiro original) por Haneke é um pequeno povoado alemão onde famílias vivem de forma miserável. E não falo aqui de miséria física. A população que vive sob rígida doutrina protestante é infeliz em todos os sentidos. Ninguém sorri. Quando muito, nos momentos mais felizes, algum personagem esboça ligeiramente um sorriso. Sob a rigidez moral impingida com o esforço do preconceituoso pastor local, há um mar de lama onde o que de mais abjeto há no comportamento humano fica imerso. Uma sociedade patriarcal, exacerbadamente machista, praticante de todos os tipos possíveis de humilhação às mulheres, incluindo mesmo aquilo que tem caráter imoral, como a humilhação sexual, que chega ao seu limite quando um pai decide manter relações incestuosas com a filha, em substituição à esposa que ele insulta e humilha de todas as formas por julgá-la feia e velha. Um ambiente em que as crianças estão constantemente sob ameaça de punições, onde até mesmo o direto de brincar lhes é retirado. Um menino tem suas mãos atadas à cama para que não se masturbe durante a noite. Dormir sem jantar ou tomar surras são castigos naturalizados. Estas mesmas crianças que são expostas a rigores e humilhações por parte dos homens adultos, também mostram, em certas situações sua crueldade – ou devolvem, em dados momentos, a crueldade que é constantemente depositada nelas. Elas também sabem como ser cruéis. Com seu secreto sadismo, são elas, como fica subentendido ao final do filme, as responsáveis por vários crimes ocorridos na vila, como a perfuração dos olhos do menino com problemas mentais, filho do não menos sádico barão que comanda o local, como um tipo de senhor feudal. A punição ao menino deficiente por parte dos outros meninos seria uma representação precoce do que viria se manifestar durante o período nazista, quando muitos doentes foram eliminados. As crianças do filme, que recebem punições o tempo todo por motivos banais, ficam impunes ante suas maiores perversidades, cometidas fora do alcance dos olhares adultos. O menino deficiente era o contrário da pureza pretendida pelo sacerdote da aldeia. E, como toda “impureza” deveria ser punida – e as crianças da aldeia eram constantemente punidas pela falta desta pureza –, elas, as crianças, decidem punir o pobre menino, reproduzindo à sua maneira as regras que aprenderam. Mussolini com seu fascismo, Hitler com seu nazi-fascismo, e todos os seus colaboradores e reprodutores “propunham um mesmo programa, partilhavam a mesma concepção de mundo, criavam mecanismos similares de manipulação de massas, votavam o mesmo ódio e desprezo pelo liberalismo (...) e perseguiam da mesma forma minorias identificadas com a alteridade (ou seja, ‘os diferentes’), tais como judeus, homossexuais, comunistas e deficientes físicos”, diz Teixeira da Silva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Dentre muitas cenas fortes, me chamam especialmente a atenção algumas que escapam ao clima de constante crueldade velada da trama, como aquelas que envolvem o menino, o pastor e o passarinho.  O pastor faz severas recomendações ao menino que quer criar um passarinho. O menino é advertido sobre a enorme responsabilidade que tem agora em suas mãos, ou seja, a responsabilidade sobre a vida do animal. A criança aceita o desafio e consegue dar ao pássaro os cuidados de que ele necessita, alimentando-o e cuidando dele com zelo, o que dá orgulho ao pastor, também pai, sentindo-se este satisfeito pela “boa educação” que conseguira dar ao menino.  Isso faz pensar sobre as possibilidades de que não só de forma patológica e brutal é feita a busca pelo poder, mas também de um senso de cuidado e proteção aos subordinados, aos cativos. O menino cuidou do pássaro, como o pai cuidou do menino. Assim como o líder absoluto de uma nação “cuidaria” dos compatriotas. Contudo, há uma triste questão: estariam todos, na verdade, vivendo entre grades, sob a ilusão da proteção? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     É possível entendermos a vila do filme como um microcosmo, se pensarmos numa universalidade do fascismo. Desta forma retiraríamos dos alemães a exclusividade do empreendimento do fascismo, materializado nas operações nazistas. Pergunto: seria então, desta maneira, o fascismo fruto das ações punitivas e restritivas de um tipo de sociedade – enraizada em toda a Europa e outras partes do planeta – onde o excessivo poder conferido aos homens em detrimento das mulheres, onde os mais “fortes” são homenageados e respeitados, onde a rigidez de uma moral religiosa punitiva e restritiva dão a tônica do comportamento recomendável e aceitável? Seria o ideal de pureza desejado pelo pastor do filme algo impossível de ser alcançado pelas pessoas, que “debaixo dos panos” acabam cometendo todo tipo de pecado? Seria a obcecada busca por esta pureza o próprio desejo fascista? Seria o fascismo um fenômeno atemporal, fruto do amontoado de valores que construímos ao longo dos séculos, o que chamamos de humanidade? Teríamos vocação para crueldade, e por esse motivo assistir a um filme como A Fita Branca nós choca tanto, sendo estas imagens uma espécie de espelho indesejável do que podemos ser, a depender das circunstâncias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Quando assisti A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, imaginei que seria impossível o cinema realizar algo mais chocante sobre o nazismo. Agora vendo A Fita Branca relativizei minha idéia: este último me soa mais pesado. Talvez me pareça uma coisa mais feia e cruel do que a visão dos monstros, a visão de como eles nascem. Embora quando pequenos eles não tenham, a princípio, cara de monstro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                     (L.F.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Fita Branca                                                                               (Das Weisse Band)                                                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duração: 144 min.&lt;br /&gt;Origem: Áustria, França, Alemanha e Itália&lt;br /&gt;Ano: 2009&lt;br /&gt;Direção: Michael Haneke&lt;br /&gt;Roteiro: Michael Haneke&lt;br /&gt;Fotografia: Chistian Berger&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler:&lt;br /&gt;SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Os fascismos. in: O século XX / organização: Daniel Aarão Reis Filho, Jorge Ferreira, Celeste Zenha – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. Volume 2. O tempo das crises: revoluções, fascismo e guerras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-8905739950434407285?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/8905739950434407285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=8905739950434407285' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8905739950434407285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8905739950434407285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2010/10/genese-do-mal.html' title='GÊNESE DO MAL?'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/TMBLci-VOBI/AAAAAAAAAKY/8L8jsxnQTmw/s72-c/a+fita+branca+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-6261568220976132007</id><published>2010-03-12T05:35:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T05:41:42.692-08:00</updated><title type='text'>mulher em seda</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/S5pEhceFNcI/AAAAAAAAAKI/1GtfYVmaGQ8/s1600-h/un_homme_et_3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/S5pEhceFNcI/AAAAAAAAAKI/1GtfYVmaGQ8/s200/un_homme_et_3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447742040626771394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;sabe o que eu faço?&lt;br /&gt;retiro tua casca&lt;br /&gt;e te jogo na seda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;te trago pra mim&lt;br /&gt;e dou minha essência a ti&lt;br /&gt;mulher de seda.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-6261568220976132007?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/6261568220976132007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=6261568220976132007' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/6261568220976132007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/6261568220976132007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2010/03/mulher-em-seda.html' title='mulher em seda'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/S5pEhceFNcI/AAAAAAAAAKI/1GtfYVmaGQ8/s72-c/un_homme_et_3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-8678588130814599656</id><published>2009-09-04T08:06:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T08:09:08.612-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SqEtH-jG6_I/AAAAAAAAAKA/DaXRjlnbCZA/s1600-h/maos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SqEtH-jG6_I/AAAAAAAAAKA/DaXRjlnbCZA/s400/maos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377629045129669618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quadrante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo passará. Estou caminhando agora rumo ao meu vazio interior mais profundo e escuro. Invento pequenas mentiras sobre minha história pessoal a fim de completar lacunas – ou lapsos de realidade despercebida por mim os quais julgo por lacunas. Fazer trilhas entre os poucos e esparsos oásis do meu deserto interior. Todos nós somos os inventores de nossas histórias. Todos os acontecimentos reais ou fictícios são história. Tudo passará. Tudo passará... Não sei o que essa afirmação significa. Posso, no entanto, dizer que eles – homem e mulher a quem me referirei – não passaram com o tempo. O tempo foi quem passou, para frente e para trás, indo e voltando. Ele e ela foram e voltaram. Sempre foram. Sempre voltaram. Entrando e saindo. Indo e voltando. Vida é elástico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número um. Suja e com os cabelos colados, ainda se via sua beleza e fogo. Ela sugou meu sêmen como um bebê faz com uma mamadeira. Talvez como uma prisioneira faminta presa em um calabouço úmido faria com um prato de mingau. E ela era de fato uma prisioneira numa masmorra, e eu seu pretenso salvador. Matei sua sede e sua fome, e minha morte começou. Eu era quase um morto, mas ainda assim a prometi liberdade. As chaves estavam no meu bolso. Ainda com resquícios de mingau viscoso a incomodar a garganta ela me falou sorrindo: “– Que bom que você veio”. Ambos estávamos uns verdadeiros trapos humanos, sujos, fracos, rasgados. Chaves nas mãos. Mas isso não resolvia todo o problema, pois de um lado tínhamos todos os corredores e mais o pátio com os guardas, e do outro lado... Do outro lado o oceano indomável com todas as suas feras do abismo marinho para as quais nossos corpos fragilizados seriam uma conveniente refeição. Com base nisso, as chaves não significariam muita coisa. Mas eu tinha mais do que chaves. Eu tinha dinheiro. Como dinheiro? Eu havia guardado durante seis anos. Matemática e línguas. Eles precisavam do meu conhecimento, que eu os ensinava em troca de moedas: guardas, o cozinheiro, e até o chefe da prisão aprenderam comigo o que seus superiores hierárquicos não podiam ensinar. Com o dinheiro eu poderia subornar alguns guardas, mas era um grande risco ainda assim. E aí? Pularíamos no mar com o dinheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número dois. A metrópole fervia como lava. Lá em baixo os homenzinhos como palitos de fósforo prontos para queimar. Do alto do décimo quinto andar nós observávamos as formiguinhas e, ao anoitecer, os vaga-lumes sem asas. No calor do apartamento, pés no chão, leite quente com canela, moletom ultra macio. O maravilhoso despojamento nos intervalos de cada amor concretizado por nós, em carne, nervo e espuma. Percebíamos como havia já escurecido e não havíamos botado os pés fora do apartamento, e como isso se dera num piscar de olhos. Nós havíamos feito o tempo voar como águia num rasante. E logo amanheceu mais um dia. E mais uma noite chegou. E mais uma alvorada. E mais um arrebol. Aquele apartamento era o centro da Terra. Enlatados, caixas de cereais, macarrão instantâneo, essas coisas práticas... Para que houvesse mais tempo de retornarmos logo às atividades copulares. Uma semana se passara. Estávamos, com certeza, uns cinco quilos mais magros. Ela com sinais de cistite. Eu com dores pélvicas. Sabíamos que era o momento de dar um tempo e ir nos unirmos às formiguinhas lá em baixo, e também aos vaga-lumes sem asas. Então vestimo-nos decentemente e fomos à porta. Por motivo que desconheço, a chave não estava na porta. Procuramos apressados. Estava o chaveiro numa gaveta. Ótimo. Fomos lá. Nenhuma das chaves servia na fechadura. Alguma coisa estava errada. Arrombar? Não. Nem sei eu teria força para tal. Ligamos para a recepção. Ninguém atendia. Insistíamos. Mas nada de atenderem. Ficamos tensos. Ligar a televisão para acalmar. Ela ligou. O que passava? Nada. Nenhuma programação: apenas a chieira cinza da estática. Arrombar a porta. Tentei com chutes. Tentei com o meu tronco. Nada. Só cansaço. Atirar o sofá na porta? Sofá todo de espuma macia, sem estrutura de madeira. Sentada no chão, com a cabeça baixa, ela rezava e chorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número três. O planeta estava no final da sua última glaciação, mas é claro que não sabíamos disso. Aliás, mal sabíamos falar. Não havia telefones celulares. Havia, sim, instrumentos manufaturados com lascas de pedra polida. Nossas vestimentas de couro peludo, como exigia o rigoroso inverno. Estávamos num estreito vale, na subida de uma colina e meu pé esquerdo estava fraturado. Depois de muito insistir em me ajudar a prosseguir na nossa necessária jornada – já que intimamente sentíamos, ainda que não pudéssemos explicar, que caminhar era preciso – ela declina a si própria o esforço. Por entre as rochas havia alguns montinhos de neve. Cansada de tentar me ajudar, ela me abraçou e tentávamos nos aquecer. Ela tinha dor de dente desde que havíamos iniciado a caminhada. Ela chorava ao meu lado. Esfriava mais e mais. Estávamos sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número quatro. Ano 2156. Olhando a Terra do ponto de vista em que estamos, nesta colônia de férias lunar, penso no quanto evoluímos tecnologicamente – e é impossível não pensar nisso quando se está aqui. Tudo bem. Somos um casal à moda antiga e estamos passando nossa segunda lua-de-mel, ironicamente, na lua. E que diferença têm essas galerias para as dos grandes shoppings? O que curtimos aqui na lua não é a lua em si, pois ela é morta. O atrativo nesse lugar é o ser humano, é a auto-contemplação do tipo “veja aonde chegamos”. Todos os turistas que passeiam por aqui têm um sorriso no rosto. Todos com aquela sensação de que se é o máximo, e de que a humanidade é o máximo. Contudo, a sensação contrária também é comum diante da certeza da nossa pequenez face às estruturas cósmicas: “a humanidade é o mínimo”. Eu não tenho conseguido sorrir. Quando penso que na Terra ainda não resolvemos o velho problema da desigualdade social, da péssima qualidade de vida de várias populações, chego a me sentir culpado de estar aqui a passeio, torrando dinheiro. Quanto a ela? Ela sorri. É a primeira vez que estamos aqui – e isso após quarenta anos da construção do primeiro hotel lunar. Hoje a lua está cheia desses conglomerados turísticos, mas ainda assim, não fôssemos privilegiados financeiramente, estaríamos não mais que andando de metrô, como a maioria das pessoas no Planeta. Muita gente vai morrer sem ter conhecido a Europa. E nós dois aqui na lua. E daí. Que merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos na fila para o ônibus que fará uma pequena viagem externa em direção a um local próximo ao lado escuro. Ela me abraça contente por sermos um casal relativamente feliz, rico e inteligente. Há meio século atrás, usaríamos a palavra amor para definir o que sentimos um pelo outro. Hoje o termo caiu, me parece definitivamente, em desuso. Pela janela do ônibus vislumbramos aquilo que encanta mais pelo estranhamento que pela beleza em si. É como o fundo do mar, de que se diz belo por ser estranho. E o fundo do mar é inóspito. Portanto o belo no sentido de estranho é diferente do belo no sentido de aprazível, como se disse muito tempo das ilhas polinésias, por exemplo. Ela não faz outra coisa senão sorrir. Chegamos na estação, de onde faremos o mais aguardado, que é o passeio externo, com as roupas especiais de astronauta. Chegamos. E lá fomos. Um pouco distantes do grupo e fora do seu campo de visão, de mãos dadas paramos um de frente ao outro e lemos nossos olhares excitados que diziam “que pena que não podemos tirar essas roupas agora mesmo e treparmos aqui atrás dessas rochas”. Não temos feito muito sexo ultimamente. Ela tem outro homem. E por mais que tenhamos, nós humanos, resolvido moralmente essa coisa de se ter mais de um par sexual sem que haja traumas e neuroses correlacionadas, sempre me fica um pequeno incômodo quando penso que o outro homem deva fazer sexo melhor que eu. Que eu dou a ela, sim, um tipo de alegria importante, e que ele dá outro tipo de alegria, que, por mais que os séculos tenham passado, ainda é a alegria mais importante para os homo sapiens e para qualquer outro animal: a alegria do sexo. E neste momento, ele, o outro cara, está lá na Terra, fazendo sexo com sua esposa que deve estar pensando no amante que dá a ela o que ele não pode dar, e o amante dela na outra mulher dele, e assim, numa reação em cadeia, o planeta inteiro, ao contrário de várias previsões feitas no passado, compartilha sexo como nunca na história humana, da mesma forma que, paradoxalmente, expõe nossa raça ao risco da extinção, por procriar tão pouco – menos que em qualquer outra época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos nos olhos mais uma vez. Só que agora ela está séria e diz estar passando mal. Não deveria estar, pois o oxigênio da roupa especial, mais a adrenalina do momento, proporcionam sempre uma sensação de tremendo prazer e conforto. Ela se senta. Eu saio para pedir ajuda. Ando com muita dificuldade na baixa gravidade do ambiente e não consigo avistar um turista sequer. Sinto-me numa encruzilhada. Vou em direção ao ônibus ou volto para ver como ela está? Volto. Ela está passando muito mal. Seria defeito no equipamento aclimatador acoplado na roupa? Tento pegá-la no colo. Não é nada fácil – mais pelo volume que pelo peso. Ela diz que não dá. Realmente não dá. Vou atrás do grupo. Por uma dessas negligências tão comuns ao homem, mesmo entre os mais respeitáveis técnicos, aconteceu: eles nos esqueceram. Tomara que quando derem falta da gente haja tempo o suficiente para voltarem e socorrê-la. Como somos irresponsáveis, todos nós... A aventura humana é bela, necessária, inevitável e medonha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eterno retorno. Moedas de prata num mar medieval. Lágrimas secas no assoalho de um apartamento onírico. Múmias da ultima glaciação numa montanha de neves eternas. Não existem urubus na lua. Quem poderia ser feliz sozinho? Quem poderia comemorar sozinho o prêmio de uma loteria, a publicação de um livro, a honra de uma condecoração? Gozar é gozar junto. Viver é viver junto, em suas mais variadas formas. Sei que tudo nessa vida deve passar, tudo passará e que tudo voltará. Como eles, que se foram. Eles que sempre voltarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-8678588130814599656?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/8678588130814599656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=8678588130814599656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8678588130814599656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8678588130814599656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2009/09/quadrante-tudo-passara.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SqEtH-jG6_I/AAAAAAAAAKA/DaXRjlnbCZA/s72-c/maos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-8185760296337489378</id><published>2009-08-21T10:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T11:04:45.905-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/So7hnWYS3QI/AAAAAAAAAJg/W1-ycIAs220/s1600-h/freelove.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/So7hnWYS3QI/AAAAAAAAAJg/W1-ycIAs220/s400/freelove.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372479471638207746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;                           A caixa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o vermelho no fundo do vaso sanitário era mesmo menstruação. Aliviada por estar eu livre da possível iminência de uma gravidez avassaladora como um atentado terrorista, até me incomodei menos com o sangue que sempre fora tão incômodo, algo próximo do repulsivo pra mim. Sangrar lembra morrer. Ser mulher não é mole. Você tem que dar de qualquer maneira: se não dá seu sangue mensalmente, dará carne nove meses depois. O som que vinha da sala enchia a casa com a linda voz de Jeff Buckley cantando Haleluiah. Lembro da gente no parque de diversões como crianças nos brinquedos, nossos sorrisos eternos, e sei agora que a vida não é um parque de diversões. A vida é sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho algo a contar sobre sangue e sobre vida. Tudo começou – ora, que bobagem, isso não é um filme pra ter começo, e mal podemos saber se o mundo teve um começo. Bem. Na primeira vez que o vi ele parecia mais bonito e menos inteligente, e, de alguma forma, aquilo me atraiu. Camisa semi aberta deixando vazar os pêlos do peito. Um ar levemente infantil, mas não no sentido de inocente. Tive um pequeno tremor percorrendo todo o meu corpo: pés, ventre e peito. De trás do balcão perguntei em que eu poderia ajudar. Três meses depois estávamos nus numa cama, abraçados e lutando contra nossos egos. Havia muito tempo que eu não dormia nua abraçada com alguém, o que finalmente aconteceu naquela noite. Ele foi além das minhas expectativas. E eu também. Não firmamos pactos verbais, no entanto, nascia ali a minha amizade mais prezada. Ele e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu espero de um homem? Espero que ele seja bom. Bom de bem. Bom no sentido cristão da palavra. Ele tem que ser um pouco parecido com Jesus Cristo. Tem que parecer um pouco com Che Guevara. Tem que ser um pouco Marlon Brando. Talvez um pouco Lúcifer. Mas não um Lúcifer traidor e mentiroso. E, sim, um Lúcifer que arromba a porta do paraíso e entra com novidades. E foi isso o que ele fez. Ele foi meu anjo da segurança e meu demônio a me provocar indagações nunca antes por mim feitas. Penso em um homem que me faça perguntar coisas o tempo inteiro...  Sei que isso é cansativo demais. No entanto, creio ser um ingrediente indispensável a um homem que venha ser meu. Meu... Meu... Às vezes penso que o mundo inteiro é meu. Noutras, nem meu umbigo me pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas íntimas, quentes, duras e úmidas que tocavam nós dois iam muito bem, obrigada! Um dia senti que precisava comprar uma cama mais forte, e assim o fiz. Ele achou a cama muito cara – ele sempre achava as coisas caras –, mas era um consenso entre nós que a velha cama não agüentaria mais. Noutro dia vi que precisaríamos de um carro para nossos piqueniques e ele concordou também em comprar. E acho que não compramos mais nada de valor. Tanto eu como ele nunca pudemos comprar muito. Contudo ele nunca parou de adquirir bugigangas. Certo dia ele trouxe uma caixinha colorida dizendo que havia comprado num camelô. Ele estava muito sério e taciturno, e, com cerimônia, disse que havia conhecido um homem muito estranho, de quem comprara a tal caixa. Perguntei que caixa era aquela e pra que servia e se havia alguma coisa dentro e quanto tinha custado e onde havia comprado e o porquê de ter feito e você precisa parar de comprar bugigangas e que caixa bonita tão colorida e posso abrir? “Não”, disse ele. “Não agora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoiteceu. A luz do abajur era amarelada e fazia nossos corpos nus ficarem avermelhados, destacando-se na paisagem negra do quarto. No criado-mudo, sob o abajur, a caixa. Enquanto fazíamos amor eu dava rápidas olhadas para ela, que também parecia olhar para mim. Era um pouco menor que uma caixa de sapatos e parecia ser bem velha, de papelão, com retalhos de tecido colorido colados. O sexo naquela noite era uma mera formalidade, uma preparação para algo maior que um rotineiro orgasmo, uma mera preliminar nervosa e formal – mas ainda assim prazerosa – para o que haveria de vir, algo relacionado, obviamente, ao assunto caixa colorida. Gozou. Nem cigarro acendeu. Silêncio. “E aí? Não vai falar nada?” “Falar o que?”, ele perguntou respondendo à minha pergunta, após o silencioso e tenso embate amoroso que fazíamos tão bem até no piloto automático. “A caixa, porra!”. Ele fez mais um silêncio, abaixando a cabeça e olhando para o nada, com seu gesto compreensivo à minha irritação e angustiada curiosidade. “Tá bom, a caixa”, respondeu. Levantou-se e fiquei sentada na cama olhando, nua, em todos os sentidos nua. Então ele me falou com o mais assustador tom de voz que eu poderia esperar vindo de alguém doce como ele. Assustador pelo silêncio contido naquela voz sussurrada e carregada de dor, medo, bondade e suicídio. “Nunca conte a ninguém o que vai acontecer agora. Nem para a sua melhor amiga”. Só me restava, paralisada, assentir com a cabeça. Me levou para o tapete onde sentamos. Com a caixa em mãos, que ele colocou no chão, entre nós, que nos fitávamos os corpos e o objeto. Abriu a caixa. “Não aconteceu nada...”, resmunguei com respeito. “Espere. Me dá a mão. As duas. Feche os olhos”. Obedeci. E assim nós fizemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrimos então os olhos. Eu abri primeiro. A mais chocante surpresa da minha vida até então. Por um momento pensei estar dormindo. As coisas ao nosso redor haviam mudado. O quarto era diferente. Era claro. Eram outras cores nas paredes. Era dia. E na minha frente ele era um menino de uns oito ou nove anos. Olhei para as minhas mãos delicadas, toquei meus cabelos. Eram os meus longos cabelos lisos e muito leves e soltos da menina leve e solta que fui e voltava, no encantamento daquele instante, a ser. Uma voz de mulher chama de um outro cômodo – provavelmente da cozinha – por quem deveria ser seu filho: “Marcos! Você está aí?”. Ele me olha e não tarda a responder à mulher, gritando com a voz verde e sábia de menino: “Tô aqui, mãe!” “Tudo bem, meu filho?” “Tudo bem, mãe!” “Não vai sair desse quarto?” “Espera aí, mãe, já vou!”. No centro do quarto ela, a caixa colorida, aberta, com a tampa caída ao lado. “O que acontece agora?”, perguntei. No que ele falou algo que eu não gostaria de ter ouvido naquele momento: “Se fecharmos a tampa agora, nunca mais voltaremos”. E concluiu ainda: “Se decidirmos fechar, não nos lembraremos do que aconteceu. Nunca mais”. Refleti sobre a grande esperança hipotética tola que muitos de nós temos ao dizermos que tudo poderia ser diferente se fôssemos mais jovens e pudéssemos agir com o equilíbrio e bom proveito que só a idade madura traz. Sabem como é... O lance de voltar a ser criança, mas com cabeça de adulto. Que grande besteira. Além do mais, nunca somos maduros o suficiente. Parece que apodrecemos antes de podermos provar o verdadeiro dulçor da vida. O dulçor da verdade dos nossos corpos vivos. O dulçor inacessível de nossas almas. Eu tinha naquele momento que tomar uma decisão entre fechar ou não a caixa. Entre começar de novo ou ter a possibilidade de voltar à vida normal adulta, com meus trinta e poucos anos, meus seios já ficando flácidos, minhas nádegas pesando, minhas pálpebras pesando, minhas olheiras, minhas marcas, tendo, contudo a possibilidade da experiência da viagem daquela caixa no meu currículo. Das duas opções, qual a mais válida? Naquela hora não pensei em qual seria a mais justa. Somos egoístas. Apenas pensei em qual seria a melhor pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri com cuidado a porta do quarto para que a mãe dele não me visse. Saí pisando macio em direção ao banheiro. De frente pro espelho eu fiquei chocada ao me ver menina. Meus olhos enormes como sempre foram, meu rosto imaculado, meus lábios cheios, meus cabelos longos ruivos – e que saudade eu tinha daqueles cabelos longos –, meus seios inexistentes. Seios. A falta dos seios talvez tenha sido o que mais me chocou dentre tudo o que eu via, na seqüência de choques psicoelétricos a que me expus sem muitas alternativas de defesa. Não era repulsivo aquele peito reto como de um menino, mas também não deixava de ser aterrorizante. Acho que nisso eu comecei a ter clareza sobre a questão de fechar ou não a caixa. Nisso eu percebi com quase-certeza de que preferia ser mulher a ser menina. Notei como eu gostava de ser mulher. Na verdade eu via a mulher no fundo dos olhos da menina no espelho. De repente a figura dele aparece também no espelho. Estava ele atrás de mim. E me tocou. Me tocou como faz um homem e não como faria um menino. Nós dois com os olhos no espelho. Dois rostos e corpos de criança. Ele, com seu peito encostado nas minhas costas, envolveu com seus braços finos a minha cintura e logo em seguida pôs as suas suaves mãos no local onde deveriam estar meus seios, como se elas, as mãos dele, fossem dois seios postiços em meu corpo. “Se fecharmos a caixa... Se nós fecharmos a caixa, esqueceremos este momento?” “Sim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos de mãos dadas pelo corredor que parecia imenso como todas as coisas que parecem imensas quando somos crianças. No quarto, a caixa aberta esperando uma decisão nossa. Sentamos novamente diante dela. “O que fazemos pra voltar?” “É só fecharmos os nossos olhos por um instante prolongado fazendo uma oração, e quando abrirmos eles, estaremos de volta ao nosso quarto escuro, e seremos adultos novamente”. Haveria então, desta forma, apenas o abajur amarelo no meio da realidade preta e nossos corpos nus a chorar inteiros, imaginei. Então, assim fechamos os olhos com medo. E inundados de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos se abrem. Quarto escuro. Abajur amarelo aceso. Nossos corpos visíveis a olhos nus.Imediatamente ele fechou a caixa: agora podia. Então choramos como eu imaginava que ocorreria. Saímos no começo do dia, antes do sol nascer completamente, e, do alto de uma ponte, jogamos a caixa à correnteza. Boiou um pouco, e depois afundou. Não éramos mais como antes. Nada mais seria como antes. Os dias passaram e nosso comportamento havia mesmo mudado. Falávamos menos. Não que estivéssemos infelizes – muito pelo contrário. Apenas falávamos menos. Em compensação havia um fato novo a incidir em nosso cotidiano: nós brincávamos. Brincávamos feito crianças. E com brincadeiras de criança. As mais variadas brincadeiras infantis. Pique, amarelinha, pipa, polícia e ladrão, jogos de tabuleiro, jogos com palavras – como jogo da forca –, salada mista...  O problema com a salada mista é que só tínhamos uma pessoa pra beijar, e a brincadeira terminava com aquilo que crianças não fazem, o que, no fim das contas, deixava tudo muito melhor. Depois de duas semanas brincando como crianças e pensando como crianças e gozando como crianças, certa tarde, num parque de diversões onde rodávamos como discos de newton sorridentes, de todas as formas possíveis de brincar e em todos os brinquedos, falei a ele, enquanto passeávamos cansados e excitados, comendo algodão doce como se fosse aquilo o mais delicioso manjar, sobre como eu era feliz com a sua companhia. Sabia que nem eu nem ele estávamos arrependidos de termos fechado a caixa e de tê-la jogado no rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, níveis de adrenalina mais baixos, senti um pouco de enjôo. Teria sido a montanha russa? Três dias de enjôo se seguiram. Gravidez. Era a minha suspeita. Menstruação atrasada. Então não poderia ser outra coisa. Angústia antes de ir à farmácia e comprar um teste. “Amanhã eu compro”, pensei. Telefonei pra ele. Precisava contar a novidade. Eu não tinha certeza da gravidez, mas gostaria que ele compartilhasse comigo aquela incerteza. Chamou. Ninguém atendeu. Tentei de novo. E de novo, e de novo. Ele não estava no trabalho? Poderia ter dado uma saída. Que ele pudesse estar com outra menina – ou melhor, mulher – não passava pela minha cabeça, definitivamente. Bem... Não sei se eu pensei nisso. Traição? Não. Não seria. E como narradora ciente do passado eu posso afirmar que não se tratava disso. Desisti então de tentar ligar. Comecei a sentir cólicas. Ele voltou do trabalho mais tarde que de costume. Tudo bem. Cólicas. Sono. Noite aprofunda. Sonhos inquietos. Manhã: 6 e meia. Cólica. Banheiro. Vaso sanitário. Sangue. Graças a Deus, sangue. Eu não abortaria, acho. De toda forma, melhor assim. “Talvez um dia eu seja mãe. Não agora”. Depois do pequeno susto, não sei bem por que motivo, abandonamos as brincadeiras de criança. Que pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários anos se passaram. Como se fosse da noite pro dia, o vi na sala, sentado no sofá, indiferente a mim, com uma latinha de cerveja e uma barriga bem acima do recomendável, assistindo futebol – ele, que no passado bem pouco gostava de futebol. Eu lavava a louça do almoço na cozinha, e com as mãos cheias de espuma de detergente vislumbrava aquele novo homem, outrora tão especial, agora tão comum. Fui ao banheiro. Olhei para os meus cabelos e vi que a tintura necessitava de retoque. Alguns fios brancos começavam a pipocar. Isso sem falar nas marcas de expressão – esse apelido delicado que usam para substituir a palavra ruga. Minha menstruação estava bastante atrasada. No entanto, desta vez algo me intrigava: não havia motivos para que eu estivesse grávida, se é que me entendem. As brincadeiras na cama já não eram regulares, e, com certeza, no período em que eu deveria estar ovulando, não havíamos feito sexo. Não era agora o fantasma da gravidez indesejada o que me aborrecia. O novo espectro tinha o nome técnico de menopausa. Esta eu gostaria que esperasse por mais uns dez anos, sinceramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fazia uns quinze dias que minha menstruação deveria ter chegado. Tudo bem. descobri um frasco da minha tintura na dispensa. Cabelos devidamente retocados, fui eu pra rua na segunda-feira pela manhã. Era uma lindíssima manhã de sol e o espelho amanhecera dizendo que eu era bonita. Andando livre pela feira, sentindo todos os aromas gratificada, observando todas as cores e ouvindo com prazer barulho de gente que comprava e vendia naquela zona de comércio ao estilo medieval, eu ia. Então, numa barraca de quinquilharias avistei o objeto vivo: a caixa.  A caixa era mais que um fantasma. A caixa era uma ressurreição encarnada. Era quadridimensional. Era, afinal, tátil. Perguntei quanto era. O cara esquisito da barraca não respondeu, apenas olhando pra mim. Percebi que a pergunta não era necessária. Percebi que era só eu pegar e levar. Que ela estava ali para que eu a pegasse e levasse pra casa. Peguei. Já em casa, entrei depressa, temendo a possibilidade de que Marcos estivesse lá e me visse assustada. Com ela guardada em minha bolsa de feira com bordados e fuxicos, fui direto para o banheiro, e decidi que se eu pudesse ter a chance de passar de novo pela minha inesquecível experiência vivida com ela há anos, eu optaria desta vez em terminar de forma diferente, pelo retorno à menina. Mas desta vez eu é que teria que dirigir o ritual, ao contrário de como ocorrera na ocasião em que fora ele quem me surgiu com o objeto misterioso. Quando ele chegou do trabalho, cabisbaixo como já virara praxe, eu, agora mais preparada psicologicamente, lhe falei: “Tenho algo aqui”. Então mostrei a caixa a ele. Passado seu terrível choque inicial, após longo e sufocante silêncio, pronunciou-se: “Eu não quero mais”. Puxa vida. Eu precisava dele pra fazer a coisa e algo me dizia que eu não poderia convencê-lo a participar. Cólica forte. Banheiro. Vaso sanitário. Sangue no fundo do vaso. Espelho. Lagrima e sorriso nos olhos. Olhos no espelho, olhos no vaso com a tinta vermelha viva. Espelho. Vaso. Espelho. “Foda-se”. E eu pensei – como costumava pensar em vários momentos da minha vida – sobre como era bom ser mulher. Tive vontade de gritar pelo basculante “Como é bom ser mulher!”. Ele apareceu na porta do banheiro querendo negociar a decisão sobre a caixa. Sem entrar, com as mãos no batente, perguntou: “Ainda quer?”. Minha resposta foi negativa. “Tá legal assim, Marcos. Também não quero mais”. Pensei em perguntar se ele me amava, mas preferi não, pois eu já sabia há muito tempo que isso não é pergunta que se faça. Sentenciei: “Amanhã pela manhã, antes do sol nascer completamente, iremos à ponte, falou?” “Cê quem sabe”. Carinho e compreensão eu pude perceber naquele momento em sua voz que sempre fora um misto de timbre de homem e menino. Eu nunca havia achado tão lindo o vermelho no fundo do vaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-8185760296337489378?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/8185760296337489378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=8185760296337489378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8185760296337489378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8185760296337489378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2009/08/caixa-sim-o-vermelho-no-fundo-do-vaso.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/So7hnWYS3QI/AAAAAAAAAJg/W1-ycIAs220/s72-c/freelove.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-2376577195637701557</id><published>2009-07-17T06:24:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T06:33:40.253-07:00</updated><title type='text'>Eu monstro</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Luciano Fortunato&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homenagem ao monstro &lt;/strong&gt;– Era eu um dos quarenta e poucos homenageados da noite. Homenagem feita pela Câmara Municipal de Mendes aos cidadãos que se destacaram no último ano. Uma medalha grande, muito bonita, dentro de um estojo de camurça azul marinho também muito bacana. O que eu fiz pra merecer isso? Ora, participei, entre outras coisas, da produção de um curta-metragem que fora exibido na televisão, sendo aquele um produto cultural que colaborou de forma inquestionável para a divulgação de nosso pequeno município país afora. Afinal, muitos pagam caro para ter alguns segundos na TV, enquanto o Cachorro-Quente Vodu – o filme a que me refiro – foi exibido sem qualquer ônus para nossa cidade, pois tudo foi viabilizado pelo sucesso do amigo Elano Ribeiro, um dos quarenta selecionados no Brasil para dirigirem seus curtas, com exibição previamente garantida, num projeto de incentivo audiovisual patrocinado pela Petrobrás. Por conta de toda a movimentação que foi gerada pela produção e exibição do filme, Elano, eu, e Ana Clara, a menina que brilhou como atriz principal, acabamos sendo, portanto, homenageados, juntamente com várias outras pessoas de vários segmentos da comunidade mendense, com a “medalha de honra ao mérito legislativo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que fico feliz. Um vereador – vice presidente da Câmara – que nem é meu amigo me indicou para ser homenageado, sendo ele então o autor da homenagem. Ele, Rubinho, parece ser um sujeito com sensibilidade, alguém que dá valor a iniciativas artísticas, e o fato de não termos qualquer laço de amizade dá credibilidade ao seu empenho, e dá ainda mais credibilidade e valor à minha medalha. A honra da medalha – que está atrelada, obviamente, à do Elano – eu divido com algumas pessoas, a saber: Mary Seabra, Ary Moreira, Emília Silveira, Juliette Silveira e Álvaro Alves. Este, o Álvaro, um cara muito mal compreendido em nossa cidade, uma pessoa que levantou sempre a bandeira da cultura. Foi através dele que tomamos conhecimento do projeto que viabilizou nosso pequeno, modesto, singelo e bonito filme de onze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? De retorno à minha honrada insignificância caseira, o que fazer? Não que eu seja insignificante para os meus mais próximos. O fato é que minhas potencialidades artísticas – se é que são de fato existentes – não podem fazer minha família mais feliz. Provavelmente, muito pelo contrário. Artista não é gente. Ser artista é ser um E.T., é ser portador de uma doença. O meu lado artista me desumaniza. Nisso, a única coisa a meu favor é a possibilidade de relativização: é mesmo bom fazer parte da dita “humanidade”? Sou um monstro a publicar minhas esquisitices na Internet. Um monstro a fazer poemas e canções. Um monstro com uma medalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Reino das Águas Claras eu seria um cano de esgoto negro, com minha estética torta. Sou um poluidor do rio da minha própria vida. E são tantas as fontes das quais me hidrato, a ponto de eu nunca saber se o que bebo é água ou veneno. Quero, egoisticamente, “diversão e arte”. Mas é isso a vida? Não seria ela um grande campo de batalha onde o que importa, de verdade, é comida, é sobrevivência? O fato de eu não gostar de conversar sobre dinheiro, ou melhor, sobre formas de ganhar dinheiro, preferindo sempre outros assuntos, parece-me às vezes uma postura brutalmente egoísta. A arte me parece um monstro devastador. O monstro da mentira que me capturou e me tornou monstro – um  monstro que parece preferir arte a pão. Às vezes penso que mereço ser ridicularizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Doce ressaca do monstro &lt;/strong&gt;– Pronto. Monstro posto, o que fazer agora? Deliciem-se os meus possíveis adversários com a carne fresca do monstro. Riam em escárnio. Conjeturem. Fucem o quebra-cabeça das minhas bárbaras confissões confusas. Usem minhas palavras contra mim: “– Vejam só! Ele próprio se declara monstro!” Mas quem seria eu a não ser o violentador de mim? Minha vítima sou eu. Meu inimigo sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se poderia eu usar a palavra escrita como expressão. Não sei por que cargas d’água me dei o direito de usar o sofisticado recurso dessa literatura sem livros de papel. Quem me lê, quase sempre lê mais de uma pessoa, pois sempre tenho mais de duas caras e dois corações. Talvez fosse melhor então ler outra coisa. Ou não tentar me compreender através do que eu escrevo, pois isso só dificultará as coisas. No começo deste texto, há umas cinco horas, antes do intervalo ao qual me reservei – pra se ter uma idéia do que eu estou falando – eu estava me sentindo um lixo humano. Agora não mais. Um cochilo. Um pedaço de pão. Umas azeitonas pretas. Um pouco de doce de laranja amarga. Um pouco de mingau com canela servido por Mary, e sou um novo homem. E assim vou me morrendo e me refazendo nestas bipolaridades. Há pouco eu era um verme rastejante sobre meus restos podres. Agora sou um artista relativamente contente em frente ao teclado escrevendo essas coisas, com meu headphone, meu disc-man, ouvindo as músicas que gosto. A propósito: o disc-man tem substituído meu carro velho e com defeito com relativo sucesso. Com este aparelhinho que acabei de comprar por um preço de banana, minhas caminhadas tem sido tão menos enfadonhas... Ainda pretendo conseguir uma vitrolinha portátil pra ouvir meus velhos discos de vinil com meu amigo maluco Marcelo Maia comendo carne e tomando uma bela cerveja numa mesa de bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artista? Eu? Artista é o caramba!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-2376577195637701557?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/2376577195637701557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=2376577195637701557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2376577195637701557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2376577195637701557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2009/07/eu-monstro.html' title='Eu monstro'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-4342998969865589990</id><published>2008-10-31T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T08:00:46.625-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SQscVk9c6bI/AAAAAAAAAGE/5RlBgKgjBEw/s1600-h/LA+LUNA+FOTO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263331746536810930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SQscVk9c6bI/AAAAAAAAAGE/5RlBgKgjBEw/s400/LA+LUNA+FOTO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;O Bertolucci que me faltava&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu, cinéfilo de meia-tigela, não conhecia La Luna&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi há muito tempo – há muito tempo mesmo – numa sessão das oito no extinto Cine Guanabara que estava eu, acompanhado de um amigo e sua família católica, num cinema completamente lotado para assistir a Jesus de Nazaré, de Franco Zefirelli. Contando há quem não acredite. Depois de passarem o saudoso programa Canal 100, com os jogos de futebol magistralmente registrados em película, vieram os traillers, que, para espanto geral, não eram, naquela noite em especial, muito ortodoxos, ou seja, não eram muito católicos – entre a meia dúzia de filmes anunciados antes da atração da noite, havia pelo menos 3 deles com cenas de sexo. Uma cena com um casal fazendo amor na praia com seus corpos na penumbra, outra com um casal nu, agarrado, rolando na grama, outra com um bacanal num saveiro e um rapaz se masturbando freneticamente. Um dos filmes eu me lembro do nome: O Sol dos Amantes, do qual nunca mais ouvi falar. Bem. O pai católico à minha esquerda tapava os olhos da filha de 8 anos. Os adolescentes nas fileiras de trás assoviavam de forma entusiasmada. Não é sonho. Isso aconteceu mesmo. E estávamos ainda na ditadura militar, saibam. Só que o Cine Guanabara era um tipo de território livre, anacronicamente às avessas. À beira da falência, aceitava menores pagantes para assistir a pornochanchadas. Eu mesmo fui um deles, sempre na esperança – e quase sempre na certeza – de poder entrar pra ver filmes proibidos para menores. Mas o caso dos traillers na sessão de Jesus de Nazaré foi mesmo o cúmulo da falta de organização e de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às famílias católicas, ao zeloso pai a tapar os olhos da filha, eu fico imaginando o que sentiriam se assistissem La Luna, de Bernardo Bertolucci. Eu não sabia, La Luna foi exibido nesta mesma época naquele cinema. Outro dia uma amiga me falou sobre o filme, que assistiu naquela sala e gostou muito. Me surpreendeu que ela tivesse mesmo gostado do filme, já que, embora eu ainda não o conhecesse, sabia se tratar de um filme com uma trama que envolvia o assunto incesto. Um detalhe importante é que minha amiga é evangélica. Isso poderia fazer pensar que ela atiraria pedras no filme. Mas, ao contrário, ela me descreveu o filme como muito belo. Mas há um detalhe sobre essa minha amiga. Ela é muito ligada a temas psicológicos, leitora de Freud, Piaget e toda sorte de livros de psicologia. Isso explica, em parte, o fenômeno. Voltarei a falar sobre o filme com ela, qualquer dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Luna, produção americana dirigida por Bernardo Bertolucci, rodada em Roma, produzida em 1979, é um filme que não poderia ter passado tão despercebido como passou. Um moralismo da indústria cinematográfica – ou do próprio público, o que é mais provável – pode explicar o fato dum filme brilhante como este viver nesse ostracismo. Só no último domingo tive a chance de assisti-lo em meu DVD. Era o Bertolucci que faltava pra mim. O filme praticamente não é citado em listas, por isso não havia gerado meu interesse – eu, um pequeno fã da obra do grande diretor italiano vivo. Como eu pude não ter visto La Luna antes? É assim mesmo. Há também filmes do Wood Allen os quais ainda não vi. Até o emblemático Persona, de Ingmar Bergman, só fui assistir há poucas semanas, veja só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que escrevo sobre Bertolucci e sexo. Quando se pensa nesses temas associados, logo nos vêm à mente Último Tango em Paris, Beleza Roubada, e Os Sonhadores. Assistindo a esses 3 filmes temos a nítida impressão de que poucos cineastas falam de sexo com tanta contundência. Mas é importante evidenciar que o sexo não é tudo nesses filmes, e sim parte inseparável de um todo, como é a vida. De qualquer forma, para Bertolucci são preferíveis estórias que envolvam famílias atípicas. E para minha surpresa, o último limite da atipicidade eu viria encontrar, tardiamente, no filme La Luna. Com uma atuação hipnótica da, infelizmente, quase desconhecida atriz Jill Clayburgh, La Luna conta a estória de Caterina, uma mulher que vive intensamente uma relação de afeto (amor, ódio, busca de auto conhecimento) com seu único filho. Joe, o belo rapazinho de dentes irregulares, o menino de cidadania americana, não sabe que é filho adotivo por parte de pai, assim com não sabe que é italiano, e filho de um italiano. Com a morte do infeliz pai americano – é impressionante a cena do enterro –, mãe e filho viajam para a Itália onde buscam reencontrar o rumo das suas vidas. Respeitada cantora de ópera, Caterina vê diante da nova vida um vigor esquecido. Aprimora seu canto, intensificando-o, e sendo cada vez mais reconhecida por seu talento. Tenta reaproximar-se afetivamente do filho – algo que houvera negligenciado em sua infeliz vida na América. Nesta busca pelo entendimento do (e com o) filho, descobre que ele está viciado em heroína. Então abandona a música – ofício no qual depositara toda sua paixão – para dedicar-se ao confuso e dependente rapaz. No entanto, a não menos confusa e dependente mãe, com essa intensa aproximação, deixa aflorar em si sentimentos em relação ao filho que personificam o mais rígido dos tabus sexuais, numa montanha russa de sentimentos, que falam de culpa e desejo, de interação entre presente e passado. Talvez falem de um passado mal resolvido à costa do Mediterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, perturbador e cheio de humanidade, La Luna é, sem dúvida, o mais chocante filme de Bertolucci. E certamente um dos mais chocantes filmes já produzidos. Um prato cheio, uma refeição completa para os freudianos, e indigesta para os puritanos. O que diria o papai à sua filhinha diante de algumas cenas do filme? O que diriam aos seus filhinhos as cuidadosas mães que jamais pararam para pensar no assunto. Que assunto? O fio, tenso ou frouxo, porém irrompível, que liga mães e filhos, do nascimento até sempre. A frágil fronteira entre os sentimentos que regem o nosso estar social e sexual, orientando nosso comportamento regulado por mecanismos morais de defesa. A proximidade entre libido e afeto. De fato. Não sejamos radicais. Este não é mesmo um filme para se assistir em família, depois da novela. Ele não deve, na verdade, ser assistido por qualquer pessoa. Seu público é específico. A intensa viagem psicológica de La Luna, me faz agora ver o eterno Último Tango em Paris como um mero passeio sensual – e olha que estou falando deste que é um clássico indiscutível do cinema erótico.&lt;br /&gt;E ainda há tempo para outros temas em La Luna. A música, por exemplo, é de uma força impressionante no filme. Em alguns momentos ela é algo orgânico para a trama, como a seqüência da chegada do piano, ou como na emocionante cena final. Os bastidores da ópera ocupam também lugar de destaque, em cenas especialmente atraentes – poucos filmes não-musicais tiveram sets de ópera tão bem cuidados. Toda a relação da personagem central com sua própria voz é de uma emocionante musicalidade. Até mesmo quando grita, Clayburgh é musical. O contraste de culturas também é tocado pelo filme. O rapaz americano, com seus tênis All Star, é mostrado como um corpo estranho nas ruas de Roma. Sofre com a solidão. E como se sentem solitários Caterina e Joe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com roteiro original do próprio Bertolucci (toda e estrutura e construção dos personagens pode fazer-nos pensar que se trate de um roteiro adaptado), e a bela, e em muitos momentos inventiva, fotografia de Vittorio Storaro, este é o filme que salvou meu domingo de pré-verão. Apesar do tema espinhoso e enfumaçado, o filme é, na verdade, um domingo. Um domingo de sol ao Mar Mediterrâneo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-4342998969865589990?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/4342998969865589990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=4342998969865589990' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/4342998969865589990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/4342998969865589990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/10/o-bertolucci-que-me-faltava-eu-cinfilo.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SQscVk9c6bI/AAAAAAAAAGE/5RlBgKgjBEw/s72-c/LA+LUNA+FOTO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7319529433338346746</id><published>2008-10-13T06:17:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T06:21:16.268-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SPNK60Q9nDI/AAAAAAAAAF8/7z1B2jxhGAI/s1600-h/OUTUBRO+2008+045.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256627564394159154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 336px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" height="250" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SPNK60Q9nDI/AAAAAAAAAF8/7z1B2jxhGAI/s400/OUTUBRO+2008+045.jpg" width="359" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;                                                                 &lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;o homem bom&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem bom desafia lúcifer&lt;br /&gt;o funcionário de deus&lt;br /&gt;lúcifer, o mordomo,&lt;br /&gt;o espião, o capitão,&lt;br /&gt;o inquisidor de deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem bom cheira a flor&lt;br /&gt;o homem bom inveja os heróis&lt;br /&gt;por saber não poder ser tão herói como almeja&lt;br /&gt;pois o homem bom é um poço da orgulho e vaidade&lt;br /&gt;e tem em si o inimigo mais querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem bom adora as mulheres&lt;br /&gt;adoração de curvar-se mesmo&lt;br /&gt;ele traz lembranças do calor do útero materno&lt;br /&gt;ele reverencia cada útero que encontra em seu caminho&lt;br /&gt;pois um útero para ele é um deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem bom jamais esquece seus erros&lt;br /&gt;é escravo da sua imperfeição&lt;br /&gt;mas perdoa aos outros como gosta de se perdoar&lt;br /&gt;tropeça, sangra o dedão&lt;br /&gt;e segue de pé, na contramão de uma trilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem bom pensa nos outros homens e mulheres&lt;br /&gt;e o faz em tempo integral&lt;br /&gt;e não esquece de nada, por saber&lt;br /&gt;que a memória vale mais que a hora&lt;br /&gt;hora é éter: memória é ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é mau o homem bom&lt;br /&gt;é egoísta como um santo o homem bom&lt;br /&gt;quer que o mundo fique melhor pra si, vejam só&lt;br /&gt;mas um mundo melhor para todos&lt;br /&gt;é apenas um efeito colateral do seu mundo perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               (manhã de domingo, 12 de outubro de 2008)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7319529433338346746?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7319529433338346746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7319529433338346746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7319529433338346746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7319529433338346746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/10/o-homem-bom-o-homem-bom-desafia-lcifer.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SPNK60Q9nDI/AAAAAAAAAF8/7z1B2jxhGAI/s72-c/OUTUBRO+2008+045.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-3144257240210243442</id><published>2008-10-10T10:05:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T10:10:45.263-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SO-L4r_NTFI/AAAAAAAAAF0/-tbDLWqyAm0/s1600-h/FORRO+DO+QUARTO+015.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255573096161430610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SO-L4r_NTFI/AAAAAAAAAF0/-tbDLWqyAm0/s400/FORRO+DO+QUARTO+015.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;                                   Um triste aniversário&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                            Luciano Fortunato Silveira&lt;br /&gt;                                                                                               &lt;a href="mailto:fortsilveira@yahoo.com.br"&gt;fortsilveira@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao começo deste mês outubro faz um ano do trágico caso dos três rapazes que foram mortos carbonizados, próximos à via férrea por onde trafegam grandes riquezas que passam por nosso município sem que delas desfrutemos. Na ocasião escrevi um texto sobre o ocorrido. O meu texto foi rejeitado por dois órgãos de comunicação regionais. Talvez em face desse ufanismo que nos faz pensar que vivemos em um paraíso, onde reina a paz, a ética e a boa moral. Um deles me propôs até a mudança de uma frase que foi julgada inadequada. E quando ao título que naquele momento dei à matéria “O dia em que a cidade sorriu diante da morte”, eu acrescentaria, hoje, um subtítulo importante, ficando “O dia em que a cidade sorriu diante da morte: ou pelo menos uma parte dela”. Agora o texto está sendo publicado na íntegra, como segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;“O dia em que a cidade sorriu diante da morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Foi na nossa querida cidade, Mendes, mas poderia ter sido em qualquer pacata cidade do nosso sul-fluminense, do Brasil ou do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mendes sorriu. Três rapazes mortos eletrocutados. Seus corpos carbonizados, e, diante do quadro, uma platéia a comemorar a morte deles. Fotos espalhadas por toda a cidade. A tragédia transformada em espetáculo. Parece que nossos pacatos moradores não são muito diferentes dos de qualquer metrópole: são também insensíveis e cruéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Vivemos em um país dito cristão. Todo cristão deve conhecer a passagem bíblica em que Jesus proclama “...aquele que não tiver pecado que atire então a primeira pedra”. No entanto, a multidão de “santos” sentiu-se no direito de rir da desgraça alheia. Como se todos nós vivêssemos rigorosamente dentro da lei. Eu pergunto: quem nunca comprou um CD pirata ou outro produto ilegal? quem nunca se apropriou de absolutamente nada que não era seu? quem nunca praticou sonegação fiscal? quem de nós exige nota fiscal por um cafezinho ou um drops? E é bom que se saiba que quando deixamos de pedir uma simples nota fiscal – e nossos estudantes nem sabem o que é isto –, estamos desviando dinheiro que poderia estar indo para a saúde e para a educação, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Pois bem. Num sistema falho e corrompido – do qual somos coadjuvantes – ainda temos que conviver com a hipocrisia de parte da população que se considera gente 100% honesta, e que acha mesmo que a morte dos rapazes foi justa e oportuna. Alguns chegaram a lamentar o fato de um deles ter sobrevivido. Foram cabos elétricos. Mas se eles tivessem sido assassinados por uma milícia paramilitar – como essas que há nas favelas do Rio – o povo mendense não estaria menos satisfeito.  Não me refiro a todo cidadão mendense, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Aqueles jovens não nasceram ladrões. Não nasceram delinqüentes. E não tiveram tempo de se redimir. E, minha gente, isso não é engraçado. Não é satisfatório. Nenhuma morte pode ser considerada satisfatória. Se nossos adultos e anciãos fossem mais eficientes e justos (e não me refiro aos pais deles, e sim a toda nossa sociedade), casos como este poderiam ser evitados. Países com alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) – como Canadá e Finlândia – possuem baixíssimo índice de criminalidade. Praticamente não há roubos e furtos nas cidades finlandesas. Quanto a nós? Não temos nesse país educação de qualidade, não temos capacitação profissional, não temos empregos disponíveis, não temos distribuição de terra e renda: somos uma sociedade falida em todos os sentidos. Então resolvemos nossa angústia diante desta impotência como cidadãos, comemorando a morte de três rapazes pobres que tentavam furtar cabos. Estamos de parabéns.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na época em que o texto foi escrito, eu não havia ainda atentado para o fato de que o crime de Vilipêndio a Cadáver é punível com prisão. Muitos dos aviltadores que estavam no local do acontecimento, onde estavam aqueles corpos, poderiam estar hoje presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso, de maneira otimista, que Mendes não deve ser um resumo do mundo caótico e cruel em que vivemos, um micro-cosmo numa selva sócio-cultural onde tudo se repete, variando apenas em número e grau. Não, senhoras e senhores. Cabem, sei que sim, muito mais coisas, boas e belas, entre nossas discretas montanhas verdes. Isso depende, claro, da forma como usaremos a nossa tão conhecida paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(L.F.S.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-3144257240210243442?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/3144257240210243442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=3144257240210243442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/3144257240210243442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/3144257240210243442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/10/um-triste-aniversrio-luciano-fortunato.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SO-L4r_NTFI/AAAAAAAAAF0/-tbDLWqyAm0/s72-c/FORRO+DO+QUARTO+015.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7322113697566436434</id><published>2008-09-19T10:32:00.000-07:00</published><updated>2008-09-19T13:05:59.053-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SNPim0fW6NI/AAAAAAAAAFU/ZY4IiPAsb4Q/s1600-h/falcÃ£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247787147369834706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SNPim0fW6NI/AAAAAAAAAFU/ZY4IiPAsb4Q/s400/falc%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Viva O Rappa!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Perdoemos sete vezes – ou mais – os críticos que não sabem o que dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Se pensarmos que os Beatles foram reprovados por boa parte dos críticos musicais contemporâneos seus, não nos incomodaremos com a morna recepção dada recentemente ao novo disco d’O Rappa – nós, que somos fãs do grupo. E me perdoe quem não gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há hoje duas correntes visíveis e importantes do jornalismo musical brasileiro. Vemos aqueles jornalistas que desprezam tudo aquilo que é sucesso de público, dando valor e tentando realçar os bons músicos que não conseguem grande projeção. Eles gostam de “samba de raiz”, músicas regionais, experimentalismos quaisquer, além de nomes que fizeram sucesso no passado e foram esquecidos. É um grupo de escritores, sem dúvida, na maioria das vezes, bem intencionado, que prezam a ética e a coerência. Uma outra corrente é daqueles que ficam esperando – e até alardeando – um “novo Jimi Hendrix”, um “novo Kurt Cobain”, um “novo Cazuza”, uma nova Gal Costa” – como se Gal não estivesse viva –, num insensato esforço de comparação. Eles são sonhadores nostálgicos, e, não raro, têm saudade de uma época que não viveram. Gente boa. Mas o fato é que esses dois exemplos de crítico musical não são do tipo – raro – que é capaz de fazer um grande elogio a um grupo que esteja sempre em evidência na mídia, como O Rappa, ainda que este apresente um trabalho de grande qualidade. Eles são do tipo que não deixariam os Beatles serem os Beatles – guardadas, obviamente, pois não sou trouxa, as devidas proporções entre Beatles e Rappa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete Vezes, disco novo da banda carioca é, com licença, bom pra caralho. É um disco poderoso. Isso mesmo: poderoso. Os pontos positivos encontrados no novo trabalho são inúmeros. O grupo não perdeu a pungência das letras – o que alguns esperavam com a saída do genial Marcelo Yuka, 3 discos atrás –, não perdeu sua originalidade, adquiriu um entrosamento e uma técnica instrumental melhor – o que já se mostrava no disco acústico e pode ser sentido neste Sete Vezes à primeira audição, com os bons “riffs” de guitarra de Xandão e com o baixo límpido e firme de Lauro Farias. O multi-instrumentista Marcelo Lobato continua criando boas texturas com seus teclados e “derivados”, e a voz de Falcão é praticamente a mesma do primeiro disco da banda, quando eles eram apenas uma “reggae band”, só que, agora, com direito a maior liberdade às suas ininteligibilidades fonéticas – meu deus, mas o que é isso que eu falei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faixas – No primeiro verso do disco, Falcão reclama, com um lirismo místico inusitado, cantando “Meu santo tá cansado”, na canção que tem este título. Nesta faixa de abertura já se nota equilíbrio sonoro, num arranjo rico em detalhes e ruídos diversos, sem que o resultado fique confuso ou “estourado”. Uma guitarrinha meio “vintage” abre a segunda faixa Verdade de Feirante. Aliás, a guitarra de Xandão se transmuta no decorrer da música em algo à la The Edge, do U2. Na discografia da banda este é o disco em que o guitarrista&lt;br /&gt;apresenta o seu melhor trabalho como músico – sem virtuosismo, porém eficiente. A faixa Meu Mundo é o Barro, um reggae típico, conta com uma letra que remete ao velho estilo do fundador da banda, o ex-Rappa, Yuka, em seus primeiros trabalhos, num tipo de crônica de homem simples e excluído. A canção começa: “Moço/ peço licença/ eu sou novo aqui/ não tenho trabalho nem classe/ eu sou novo aqui...”. E prossegue: “...sou quase um cara/ não tenho cor nem padrinho/ nasci no mundo /sou sozinho...”. Na seqüência a letra toca também na religiosidade: “...tentei ser crente/ mas meu Cristo é diferente/ a sombra dele é sem cruz...”. A faixa que batiza o álbum, 7 Vezes, é primorosa. É, diferentemente da maioria das músicas d’O Rappa, uma canção de amor – ao menos assim me pareceu. O ritmo é lento é ultra-agradável e o resultado é harmonioso. Monstro Invisível, que foi a música inicial de trabalho do álbum, já é tocada em todo o país. O refrão “...vejo a minha história com a sua comungar...” é incógnito e vigoroso. É claro que o monstro invisível do título não é o vocalista, mas, vou te falar: Falcão canta como um monstro, magistralmente – se não como um grande cantor, como um magnífico vocalista de rock. A décima faixa é Súplica Cearense, da obra do enigmático compositor baiano Gordurinha, que fez carreira no rádio nos anos 50. Seus maiores sucessos são Vendedor de Caranguejo e Chiclete com Banana. Gordurinha influenciou Zé Ramalho, Novos Baianos, Gilberto Gil e até Chico Science. Aqui em ritmo de reggae, Súplica Cearense é uma música que não pode deixar de ser notada, como um tipo de canção que já valeria o preço de qualquer disco. Homenagem oportuna que enriquece ainda mais este belo e extraordinariamente bem gravado novo disco d’O Rappa, banda da qual o Rio de Janeiro e o Brasil devem se orgulhar.&lt;br /&gt;Sim, é verdade, se orgulhar. Sei que há hoje um grande preconceito contra coisas associadas ao funk, como é o caso do hip-hop. E O Rappa é uma banda que mescla, essencialmente, reggae, rock e hip-hop. Todos nos orgulhamos do samba, que tem raízes africanas; nos orgulhamos dos ritmos nordestinos, com um forte pé na Europa medieval; e reverenciamos grandes roqueiros brasileiros como Raul Seixas, mesmo sendo rock uma cultura nascida nos Estados Unidos. E é assim mesmo, não há cultura que não seja um processamento de influências, se formos pensar bem. Raul cultuava Elvis. Elvis cultuava o blues. O rock é uma atualização do blues. É, blues... Assim como jazz... São crias estadunidenses. Sem blues não haveria rock. Sem rock não haveria Beatles, sem Beatles não haveria a Tropicália e o Clube da esquina, por exemplo. A música popular viajou séculos até chegar onde estamos hoje, com o vasto cardápio do qual dispomos, onde uma banda pode ser naturalmente eclética, bebendo de fontes diversas, e ao mesmo tempo soar originalíssima e coesa como O Rappa. Se uma das melhores bandas pop-rock dos anos 90 é, de fato, o Rage Against the Machine, que combinou hip-hop e rock, e foi tremendamente influente, temos, provavelmente, numa linha parecida, algo ainda melhor: uma banda que acrescentou à mistura a voz da periferia carioca, o grito do cidadão oprimido e trabalhador, a voz do poeta popular brasileiro, na nossa invejável língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7322113697566436434?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7322113697566436434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7322113697566436434' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7322113697566436434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7322113697566436434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/09/viva-o-rappa-perdoemos-sete-vezes-ou.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SNPim0fW6NI/AAAAAAAAAFU/ZY4IiPAsb4Q/s72-c/falc%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-679344990253080125</id><published>2008-07-17T06:14:00.000-07:00</published><updated>2008-07-17T08:36:36.460-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SH9G3BMHi7I/AAAAAAAAAFM/BK9fuHSNeB0/s1600-h/HORTO+003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223972003799075762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SH9G3BMHi7I/AAAAAAAAAFM/BK9fuHSNeB0/s320/HORTO+003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Texto escrito para o site Crônicas Cariocas&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.cronicascariocas.com/"&gt;http://www.cronicascariocas.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Comentarista, sim. Crítico, não.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Meu pequeno museu de novidades&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Após quase dois anos escrevendo sobre música para este super-elegante website, é provável que algum dos meus poucos leitores esteja a se perguntar “o que esse cara ouve em casa?”. Bem. É apenas uma suposição. Talvez ninguém pergunte isso. Me baseio no fato de que eu mesmo já me perguntei várias vezes o que os críticos gostavam de ouvir “de verdade”, fora das resenhas submetidas, como se supõe, a “obrigações estético-ideológicas” do jornalismo musical fascista. Não que eu também não seja vítima dessa síndrome de “inculcação” de gostos. Longe disso. Sou manipulado também. Contudo, dentro desse sistema de manipulação estética, crio meus “gostos” pessoais, que são muito, muito vastos, onde cabem Miles Davis, Belchior, Fábio Júnior, Benito di Paula e A-ha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não sou crítico musical, sou apenas um ouvinte de música e um modesto compositor, e vou até fazer uma confissão aqui que me descredibiliza: estou sem ouvir rádio há quase dois anos. E, na minha insignificância de “comentarista” de música, comentarei brevemente sobre o que tenho ouvido no último ano e meio, nas minhas feias, porém lindas, caixas acústicas de madeira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Algumas notas – Acho que o “Sim”, da Vanessa da Mata, foi, verdadeiramente, o disco popular nacional mais importante do ano passado. Sensível, bem gravado, cheio de swing, feminino, autoral, confessional. Toda a badalação foi merecida. Aguardando estou o momento de assistir ao DVD da morena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No começo de 2007 (e final de 2006) fiz grandes descobertas, graças ao sistema anárquico de compartilhamento de músicas na web, do qual sou defensor, com destaque para o nosso querido E-mule. E é isso aí. Tá sem grana? Vai lá e baixa o disco que tanto te interessa – não está roubando, mas, sim, “pegando” de um “amigo” que está disponibilizando aquilo. Embora eu adore entrar em loja de disco e comprar, é óbvio que não posso adquirir todos aqueles que desejo e “preciso” ouvir. Então, fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de baixar da Internet, e ouvir pra crer, eu não compraria, por exemplo, um CD dos britânicos Arctic Monkeys. Agora, posso comprar de ouvidos fechados, pois o troço é muito bom. Um rock caótico, esparramado, cru, com um vocalista que me lembra muito o Lennon – eu acho. Não há virtuosismo: só um som nervoso e ao mesmo tempo simpático. E boas melodias também, não posso esquecer disso. // Outra grande descoberta foi a banda (americana? canadense?) Wilco. Eu já conhecia uma ou outra música do Wilco antes de baixar mais coisa deles. Mas agora... puxa vida... Depois de conhecer mais da banda eu digo que são excelentes. Seu último disco, “Sky blue sky”, é primoroso. Sabe aquele som novo com cara de velho? Pois é. Um pouco de country, um muito de blues, uma guitarra alucinógena e uma voz doce. Uma puta banda. // Um amigo me deu dois CDs da banda francesa Nouvelle Vague. E, vou te contar, ele me salvou da mediocridade. Quanta ignorância minha... O primeiro disco do Nouvelle Vague é de 2004 e só há dois meses os descobri. Isso é uma vergonha. Sabe como é o som? Pra quem não sabe, é o seguinte: um grupo de franceses apaixonados por punk, new wave e bossa nova, gravam covers de bandas como Joy Division , The Clash, The Cure, Depeche Mode, Dead Kennedys... tudo na voz de excelentes cantoras, que se revezam, cantando os sucessos, na maioria das vezes, executados em ritmo de bossa nova. Sem dúvida alguma, é a melhor bossa nova feita por gringos que eu já ouvi. Como escrevi no título de uma matéria para esta revista eletrônica, é uma “bossa nova punk”. Gente: ouçam Nouvelle Vague! // Na seção trilha sonora, ouço com prazer a trilha do filme Richard Linklater, Wanking Life, que, como tudo aqui, não tem nada de novo, composta pela Tosca Tango Ochestra. A Tosca... não é uma orquestra propriamente dita, mas um pequeno grupo de músicos que tocam tango com roupagem jazística. O resultado é delicioso, e, sim, novo. Pega bem com vinho. // Outro amigo me presenteou com os sete álbuns do Creedende Clearwater Revival. Mais uma vez me deparo com minha, cada vez mais evidente, ignorância musical. Eu só conhecia os hits do grupo. Mas que coisa... Estou apaixonado agora. Todos os discos são impecáveis. Tô sentindo que o som deles pode ter influenciado profundamente o Led Zeppelin. Querendo, grave qualquer um dos sete – todos são muito legais. Mas fuja das coletâneas. Pois nessas você vai perder as deliciosas faixas com blues de oito minutos, cheios de experimentações. É um rock básico. Mas dizer básico é pouco. É muito mais que isso. O Creedence parece ter feito uma ponte entre o rock tradicional dos anos 50 e 60, e o que viria, com hard rock como o conhecemos. // Na minha onda retrô, tenho aproveitado para preencher alguns hiatos auditivos, como o disco “I Got Dem’OI Kozmic Blues Again Mama!”, da minha grande dama Janis Joplin, que contém a canção “Try”. Gravado em 1969, ano em que nasci, o disco é lindo. Mostra que, além de “bluseira”, Janis deu gás também à soul music. // O papo está se alongando e não vou mesmo poder contar todas as coisas legais que tenho ouvido – na verdade mal comecei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho que os arrojados e belíssimos últimos discos de Caetano e Djavan não tiveram a atenção merecida – principalmente o do Djavan, “Matizes”. Contudo, claro, há muito mais gente que merecia aparecer e não aparece, ou aparece muito pouco. O mercado ainda é cruel. Tá mais democrático, mas ainda é uma selva. E, diante do estado anárquico (e bacana) em que estamos vivendo, os nossos medalhões da MPB não têm muito do que reclamar, na verdade. Há, por exemplo, exímios compositores, instrumentistas e intérpretes de samba no Rio de Janeiro que ainda não saíram da garagem (digo, dos bares) e mantém sua música como hobbie, por força das circunstâncias mercadológicas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queixas à parte... Minha grande expectativa está para o registro em DVD dos shows de Marisa Monte, realizados no ano passado. Isso, me perdoem meus queridos amigos piratas da grande rede, eu faço questão de comprar na loja, “original”, no plástico, lacrado, e com papel de presente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-679344990253080125?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/679344990253080125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=679344990253080125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/679344990253080125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/679344990253080125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/07/comentarista-sim.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SH9G3BMHi7I/AAAAAAAAAFM/BK9fuHSNeB0/s72-c/HORTO+003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-3872370943156975546</id><published>2008-07-07T05:59:00.000-07:00</published><updated>2008-07-07T06:03:30.922-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SHITmPLlTsI/AAAAAAAAAFE/n-jFD85XXrs/s1600-h/BLUE+LAKE+045.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220256465706897090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SHITmPLlTsI/AAAAAAAAAFE/n-jFD85XXrs/s400/BLUE+LAKE+045.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;                                           herói no espelho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="color:#000000;"&gt;  então...&lt;br /&gt;    quem sou eu...&lt;br /&gt;    alguém que&lt;br /&gt;    sinceramente&lt;br /&gt;    gostaria&lt;br /&gt;    gostaria de fazer a diferença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    salve quem sabe voar a todo o instante&lt;br /&gt;    salve quem arrisca a vida por baleias&lt;br /&gt;    salve quem atira coquetéis molotov&lt;br /&gt;    quem ama o mundo e as pessoas&lt;br /&gt;    quem o faz sem se apaixonar&lt;br /&gt;    quem vê as coisas&lt;br /&gt;    muito além da lente do próprio umbigo&lt;br /&gt;    além dos cento e oitenta graus nublados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    mas quem sou se esforça&lt;br /&gt;    e luta contra o motor da mediocridade&lt;br /&gt;    essa máquina&lt;br /&gt;    que nos transforma todos em merda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    quero aquilo que não tenho&lt;br /&gt;    até me emociono e compadeço  &lt;br /&gt;    derramo lágrimas sinceras pelo alheio&lt;br /&gt;    porém, meu verdadeiro pranto&lt;br /&gt;    é pelo anti-herói que há em mim&lt;br /&gt;    o intelectual incipiente, pseudo-sábio&lt;br /&gt;    o herói incipiente, herói sem rosto&lt;br /&gt;    o desconhecido&lt;br /&gt;    artista rupestre de egoísmos&lt;br /&gt;    arquiteto de desculpas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    a pálida dúvida&lt;br /&gt;    que atormenta &lt;br /&gt;    aniquila&lt;br /&gt;    pálida como sangue desmaiado&lt;br /&gt;    a dúvida que é um deus&lt;br /&gt;    um deus mau e blasfemador&lt;br /&gt;    minha dúvida deusa e irmã&lt;br /&gt;    a desconstruir&lt;br /&gt;    meus instintos genéticos&lt;br /&gt;    herméticos como maldição&lt;br /&gt;    sutis como maldição&lt;br /&gt;    minha dúvida&lt;br /&gt;    que é o meu oxigênio&lt;br /&gt;    vital e envenenado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    quem sou? &lt;br /&gt;    sou o martelo&lt;br /&gt;    contra minha própria cabeça?&lt;br /&gt;    sou o flashback em forma de pão?&lt;br /&gt;    sou o manjar dos demônios?&lt;br /&gt;    sou o holocausto no tabernáculo?&lt;br /&gt;    sou o chipanzé vendo TV?&lt;br /&gt;    sou o papagaio poeta?&lt;br /&gt;    o destruidor de mim&lt;br /&gt;    a poeira de mim&lt;br /&gt;    a argamassa de mim&lt;br /&gt;    a construção da estrela que virá.&lt;br /&gt;    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;         &lt;span style="color:#000000;"&gt;(L.F.S.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-3872370943156975546?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/3872370943156975546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=3872370943156975546' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/3872370943156975546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/3872370943156975546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/07/heri-no-espelho-ento.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SHITmPLlTsI/AAAAAAAAAFE/n-jFD85XXrs/s72-c/BLUE+LAKE+045.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7030356271131251415</id><published>2008-06-24T06:23:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T06:32:53.723-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SGD1zTsXLKI/AAAAAAAAAE8/6IZlveCTdVE/s1600-h/TÃNEL+12+NOVAS+011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215438630303509666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" height="245" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SGD1zTsXLKI/AAAAAAAAAE8/6IZlveCTdVE/s400/T%C3%9ANEL+12+NOVAS+011.jpg" width="352" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Você vai morrer e não vai pro céu;&lt;br /&gt;É bom aprender: a vida é cruel”&lt;br /&gt;(Homem Primata –&lt;br /&gt;do disco “Cabeça Dinossauro”, 1986 / Titãs)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Filosofar é aprender a morrer”.&lt;br /&gt;(– Montaigne)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;                               O Efeito Morte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                             Luciano Fortunato Silveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Numa recente entrevista a um jornal televisivo matinal, em ocasião do seu aniversário de cem anos, Oscar Niemeyer, ateu, responde à inconveniente pergunta do repórter, que dizia “a morte não lhe assusta?”. Niemeyer responde “a morte é uma coisa natural da vida. É melhor levar a vida sem pensar muito nisso. E é até uma coisa meio animal o que vou te dizer, mas, como dizia o Darcy Ribeiro, a vida tem que ser assim: uma mulher do lado – porque mulher é importante – e seja o que deus quiser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A postura de José Saramago, também ateu, ao escrever o seu livro As Intermitências da Morte parece ser, numa análise superficial, exatamente o contrário da de Niemeyer. Saramago lança As Intermitências... no alto dos seus oitenta e seis anos de idade, tratando o assunto “morte” de frente, com sarcasmo e atitude filosófica. O livro é uma fábula sobre a morte, abordando com efeito alucinante, e ao mesmo tempo expondo a grande sobriedade do autor, temas como religião e sociedade. A história se passa num país onde a morte “suspendeu suas atividades”. Antes de qualquer análise, vejamos alguns trechos do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intermitência. s. f. 1. interrupção momentânea, intervalo (Aurélio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ano novo, vida nova.”&lt;br /&gt;“Sem morte, ouça-me bem, senhor primeiro-ministro, sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja.”&lt;br /&gt;“Questão de ponto de vista, eminência, talvez lá de fora nos estejam a olhar como um oásis, um jardim, um paraíso, Ou um inferno, se forem inteligentes.”&lt;br /&gt;“Se o cardeal morresse durante a operação de apendicite, isso significaria que teria, paradoxalmente, vencido a morte.”&lt;br /&gt;“Que vamos fazer com os velhos.”&lt;br /&gt;“O rosto enrugando-se, prega a prega, igual que uma uva passa, os membros trêmulos e duvidosos, como um barco que inutilmente andasse à procura da bússola que lhe tenha caído ao mar”.&lt;br /&gt;“Toda a história santa termina inevitavelmente num beco sem saída”.&lt;br /&gt;“As religiões, todas elas, por mais voltas que lhes demos, não têm outra justificação para existir que não seja a morte, precisam dela como do pão para a boca”.&lt;br /&gt;“Por nossa parte, igreja católica, apostólica e romana, organizaremos uma campanha nacional de orações para rogar a deus que providencie o regresso da morte o mais rapidamente possível a fim de poupar a pobre humanidade aos piores horrores”.&lt;br /&gt;“...oferecer a estes seres humanos que tanto me detestam uma pequena amostra do que para eles seria viver para sempre”.&lt;br /&gt;“...a morte não respeita a gramática”.&lt;br /&gt;“Um dia virão a saber o que é a Morte com letra maiúscula”.&lt;br /&gt;“...a (idéia de que a) morte seria um superior hierárquico de deus, torturava em surdina as mentes e os corações do santo instituto”.&lt;br /&gt;“No seu quarto de hotel, a morte, despida, está parada diante do espelho: não sabe quem é”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta que se pode extrair sobre a motivação de Saramago para escrever o livro é “teria sido a obra uma tentativa de amenizar os efeitos devastadores de idéia da morte definitiva para alguém que não acredita em uma vida depois dela?”. Possivelmente a resposta seja sim. Diante do posicionamento público de José Saramago, podemos considerá-lo um tipo de “ateu militante”. E o livro em questão seria um tipo de instrumento dessa militância. Pode-se dizer que uma pessoa que está próxima dos noventa anos, está, com isso, próxima da morte. Nisso, o livro se põe como uma espécie de tratado sobre o “problema da morte”. E também com um tipo de “consolo intelectual”, seja isso algo honesto ou não. Enquanto as religiões consolam o homem diante da angústia da finitude, dizendo a ele que ele terá uma vida eterna, os descrentes nessa promessa ficam à mercê das mais variadas conjecturas. A atitude racional parece não resolver o problema da morte, coisa que as religiões sempre conseguiram fazer, em maior ou menor grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, seja entre religiosos ou não religiosos, entre crentes e ateus, o tema “morte” é normalmente evitado. É como se evitássemos tocar em algo que não podemos resolver ou explicar com clareza. A palavra “morte” é de pronúncia proibida em alguns lares mais conservadores em várias partes do Brasil e do mundo. Assim como ocorre com a palavra “câncer”. E poucos percebem que quando se evita a pronúncia de “morte”, se está fazendo o mesmo que faziam os antigos hebreus que não pronunciavam o nome de deus. A cultura da “não-pronúncia” do nome divino está no decálogo de Moisés e está também em outras religiões antigas, monoteístas ou não. Desta forma, ao se evitar o assunto e a palavra morte, se está, inconscientemente, tornando-a um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago, no entanto, de forma surpreendentemente serena, não só aborda o tema de forma provocante, como dedica-se a escrever uma fábula, que é o livro As Intermitências da Morte. No livro, o autor faz uma brincadeira com a questão do paraíso bíblico, o lugar da vida eterna, trazendo esta para o seu país fictício, porém terreno, de forma a explicitar o paradoxo de se desejar algo com o qual, definitivamente, não estamos preparados e não saberíamos lidar: a vida eterna. Em vez de evitar o tema, o homem velho Saramago o encara de forma direta e, sem apresentar soluções, suaviza sua angústia de ateu diante do fim, tomando para si a idéia de que a eternidade do ser não seria melhor que o seu ocaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas monumentais últimas páginas do livro, o autor rende-se, no entanto, ao sonho e a um profundo lirismo, e, despindo-se da ironia que permeia muitas das paginas anteriores, faz com que a sua personagem principal, a morte, seja vencida pelo amor e seja, assim, humanizada. Os ateus também amam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num plágio ao livro de Saramago, escrevi um conto para participar de uma seleção do jornal O Estado de São Paulo, comemorando os cinqüenta anos da Bossa Nova. O critério era que fossem mini-contos que contivessem, em alguma parte do texto a frase “não quero mais esse negócio de você longe de mim”, da canção Chega de Saudade, considerada o marco inicial da Bossa Nova. O meu conto é intitulado “Eu, João e a Morte”. É assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Embora eu não seja muito fã de jogos, nada tenho contra aquele lance já clássico de jogar xadrez com a morte. Ainda mais que conheço alguns macetes deste sinistro jogo. Pior seria baralho. Pois em se tratando de cartas a sorte fala mais alto. E a sorte, como se sabe, é parente em primeiro grau da Senhorita Morte, a grande dama, a deusa que todos cultuam, normalmente sem saber. Entre xadrez e cartas, chegamos eu e ela a um consenso: dominó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu cafofo subterrâneo, com os comuns e periódicos tremores causados pelo metrô bem ao lado, na pequena sala iluminada por uma cansativa lâmpada fluorescente econômica, fui eu ao canto onde fica minha jukebox antiga, claro, com duzentos e cinqüenta compactos antigos, claro, no seu interior. Na excêntrica máquina – meu único objeto de valor, além das cabeças de pedra-pomes vindas da Toscana – vários discos de rock’n’roll, algum jazz, uns standards, e ali no meio, o único disco de música brasileira, um compacto de João Gilberto cantando “Chega de saudade”. Tantos discos de rock pro bracinho automático pegar e ele me pega justamente o único disco produzido no hemisfério sul. É a sorte. Então minha adversária me perguntou que música era aquela – e as pedras de dominó já despejadas na mesa. Ela, tão habituada com roqueiros suicidas, não conhecia a Bossa Nova. E eu que pensei que o estilo fosse mais conhecido no nosso globo, e talvez até fora dele, respondo a ela: isso é bossa nova, é muito natural, e me espanta que você não conheça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos o jogo. Antes da máquina começar o “roquenrou” por vir, os alto-falantes da minha querida máquina encantada começam a esvaziar da sala o samba de João, que canta os últimos versos da canção, “não quero mais esse negócio de você longe de mim”. Vivo, venci a primeira partida. Acho que João salvou minha vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7030356271131251415?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7030356271131251415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7030356271131251415' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7030356271131251415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7030356271131251415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/06/voc-vai-morrer-e-no-vai-pro-cu-bom.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SGD1zTsXLKI/AAAAAAAAAE8/6IZlveCTdVE/s72-c/T%C3%9ANEL+12+NOVAS+011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-9179168840022764136</id><published>2008-06-06T11:08:00.001-07:00</published><updated>2008-06-11T08:44:59.355-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SE_yurfKEeI/AAAAAAAAAE0/wW9gmLXP8lw/s1600-h/70+anos+109.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210650177652265442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" height="215" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SE_yurfKEeI/AAAAAAAAAE0/wW9gmLXP8lw/s400/70+anos+109.jpg" width="314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SEl9z6loLtI/AAAAAAAAAEs/AGHqkIlFEL0/s1600-h/FORRO+DO+QUARTO+086.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;o cão chupando manga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;sonhei com o cão chupando manga&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;sonhei com a manga&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;vi que animais gostam de frutas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;mais do que de ração:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;isso que os humanos comem a contragosto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;diariamente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;vi que a manga, viva no estômago do cão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;se integrava em sua alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;vi que ele deixou o caroço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;vi que a manga agora está, pra sempre, nua&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;sonhei com o cão chupando manga&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;e acordei cansado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...dream is over.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-9179168840022764136?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/9179168840022764136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=9179168840022764136' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/9179168840022764136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/9179168840022764136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/06/o-co-chupando-manga-sonhei-com-o-co.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SE_yurfKEeI/AAAAAAAAAE0/wW9gmLXP8lw/s72-c/70+anos+109.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7035340640486089431</id><published>2008-05-20T09:28:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T05:53:02.306-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SDQbBYnpklI/AAAAAAAAADk/3Pke3ayNFJM/s1600-h/1728ft1[1].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202813180122337874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SDQbBYnpklI/AAAAAAAAADk/3Pke3ayNFJM/s400/1728ft1%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A pós-modernidade chega às telas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Blade Runner – Caçador de Andróides&lt;/strong&gt; inaugura, nos anos oitenta, o cinema pós-moderno americano&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, ano em que Blade Runner foi lançado em nossos cinemas, eu estava tão envolvido com o estudo do sexo oposto que nem tomei conhecimento do filme. Com 12 anos de idade, Sessão da Tarde, filmes de terror e revistas de sacanagem me interessavam muito mais que qualquer estética cinematográfica revolucionária. Então, só muitos anos depois, numa reapresentação, é que fui, já na condição de cinéfilo, assistir a Caçador de Andróides na telona. E o que senti naquela poltrona do velho cinema é indescritível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira cena do filme já é acachapante: uma torre cuspindo fogo no céu escuro de uma cidade fria, caótica e futurista, com a bela, forte e perturbadora música de Vangelis ao fundo. Ao fundo nada: a música do grego Vangelis, que está em todo o filme, aparece muitas vezes em “primeiro plano”, transcendendo à cena em si. A cidade de Los Angeles do futuro, com seus prédios piramidais, seus veículos voadores, feita em maquetes, soa mais real que estas animações feitas com uso de computação gráfica de hoje em dia – uma maquete é tridimensional naturalmente e sua presença física é um fato, diferentemente de alguns efeitos cansativos de computador, que quase nunca conseguem um realismo convincente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar da estética de Blade Runner – Caçador de Andróides é pôr lenha em um tema que serve a várias teses, dado o tamanho da riqueza visual e sonora exposta naquele trabalho. Contudo, som e imagem é pouco. Tudo em Blade Runner serve como material de estudo. O filme propõe um estudo sobre a contraluz na fotografia de cinema. Se quisermos uma síntese do cinema noir, ali está. Se quisermos um estudo sobre a presença do anti-herói no cinema; se o caso for estudar a possibilidade do estabelecimento do caos nas sociedades do futuro; ou a revolução das máquinas – como só no primeiro Matrix se fez algo de bom nível – ; se o assunto for a própria pós-modernidade; se pretende-se fazer um estudo sobre a morte e a imortalidade, o que, pra mim, são os temas centrais do filme... Enfim, Blade Runner é um “filme-estudo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor da estória de Caçador de Andróides é o falecido escritor Phillip K. Dick, criador também das narrativas filmadas em Total Recall, de Paul Verhoeven, e em Minority Report, de Steven Spielberg. Mas o pioneiro em filmar Phillip Dick foi mesmo o irregular cineasta Ridley Scott, que tem em seu currículo um outro marco da ficção-científica, que é Alien, o Oitavo Passageiro, além do mega-sucesso Gladiador. Contudo, é indiscutível que o ponto alto de Ridley Scott foi mesmo Blade Runner. Foi naquele momento que o criativo, produtivo e injustiçado autor de ficção-científica, Dick, foi revelado ao mundo em sua primeira e mais contundente adaptação para o cinema, através da lente caótica de Scott.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama de Blade Runner não é complexa, ao contrário do que alguns pensaram. Um “caçador de andróides” é contratado para encontrar e exterminar um grupo de replicantes (como são chamados os andróides do filme) que fugiram de uma colônia, numa rebelião. Em sua caçada, ele, o detetive Deckard – vivido por Harison Ford –, faz uma imersão na L.A. abandonada, úmida e marginal do futuro. Num futuro em que só as classes menos favorecidas habitam a Terra. As pessoas com poder aquisitivo iriam morar em marte. No percurso, apaixona-se pela replicante Rachel (Sean Young). O tema composto para o casal é uma das mais lindas e inebriantes músicas de amor compostas para cinema, com uma delicada melodia feita no saxofone – hoje o tema é tocado em propagandas de motel. O sax da canção faz um bom contraponto com o resto de toda a trilha do filme, que tem bases predominantemente eletrônicas. Aliás, o contraste é a tônica de toda a obra. O contraste relativizando bem e mal é um exemplo disso: os vilões do filme – no caso os andróides – parecem mais humanos que as pessoas de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em Blade Runner a materialização da chegada da pós-modernidade ao cinema americano, onde – ao contrário do que se propunha com aquela “Era Reagan”, com os seus “Rambos” – o maniqueísmo foi descartado sem receios, primando-se o questionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Luciano Fortunato&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; escreve para &lt;a href="http://www.cronicascariocas.com/"&gt;http://www.cronicascariocas.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://ruthlessreviews.com/pics3/bladerunner2.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://www.ruthlessreviews.com/reviews.cfm/id/354/page/blade_runner.html&amp;amp;h=295&amp;amp;w=450&amp;amp;sz=60&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=2&amp;amp;tbnid=_C-3BRH54lG5gM:&amp;amp;tbnh=83&amp;amp;tbnw=127&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Dblade%2Brunner%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7035340640486089431?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7035340640486089431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7035340640486089431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7035340640486089431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7035340640486089431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/05/ps-modernidade-chega-s-telas-blade.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SDQbBYnpklI/AAAAAAAAADk/3Pke3ayNFJM/s72-c/1728ft1%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-6422360723609941268</id><published>2008-05-12T09:46:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T10:06:55.898-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCh22InpkhI/AAAAAAAAADE/EQ9Vr_2K9Zg/s1600-h/marÃ§o+2008+(2)+017.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199536442198037010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCh22InpkhI/AAAAAAAAADE/EQ9Vr_2K9Zg/s200/mar%C3%A7o+2008+(2)+017.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tri&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;lo&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;gi&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;a &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;psi&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;co&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;lor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;eu, canalha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;na minha relva multicor&lt;br /&gt;piso no tapete de pétalas&lt;br /&gt;sobre os vermes&lt;br /&gt;sobre as folhas&lt;br /&gt;sobre o húmus&lt;br /&gt;e sobre aquele homem que pensei ser&lt;br /&gt;nada na verdade sei&lt;br /&gt;a não ser que ele é um canalha&lt;br /&gt;um bondoso canalha informal&lt;br /&gt;ser canalha é pisar em cores&lt;br /&gt;e escarrar arco-íris pastéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;virgulismo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;vou te sangrar, seu filho-da-puta&lt;br /&gt;te afogo no leite de cabra safada&lt;br /&gt;no leite envenenado da donzela&lt;br /&gt;leite induzido&lt;br /&gt;sangue induzido&lt;br /&gt;mel voluntário de virgem solta&lt;br /&gt;lava de vulcão marinho&lt;br /&gt;vou te sangrar, filho-da-puta&lt;br /&gt;derramar tua alma cor-de-rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;psicodrama&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;maio de 68&lt;br /&gt;dezembro de 69&lt;br /&gt;fogo de maio&lt;br /&gt;fumaça de dezembro&lt;br /&gt;espuma dos anos&lt;br /&gt;fog&lt;br /&gt;frogs&lt;br /&gt;se sorri do passado&lt;br /&gt;alegria sincera&lt;br /&gt;alegria suicida&lt;br /&gt;sarcasmo branco&lt;br /&gt;direitos civis&lt;br /&gt;capital dos fracos&lt;br /&gt;e dos amadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não existia&lt;br /&gt;eu ainda não havia&lt;br /&gt;e não havia sido&lt;br /&gt;beijado&lt;br /&gt;pela música feminina dos dias&lt;br /&gt;em maio de 68&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;primaveras ensolaradas&lt;br /&gt;me esperem&lt;br /&gt;eis-me aqui:&lt;br /&gt;e minha bandeira&lt;br /&gt;é verde como o sangue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;luciano fortunato&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;músico e web-escritor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;escreve para o site crônicas cariocas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.cronicascariocas.com/"&gt;http://www.cronicascariocas.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-6422360723609941268?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/6422360723609941268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=6422360723609941268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/6422360723609941268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/6422360723609941268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/05/tri-lo-gi-psi-co-lor-eu-canalha-na.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCh22InpkhI/AAAAAAAAADE/EQ9Vr_2K9Zg/s72-c/mar%C3%A7o+2008+(2)+017.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7910764041205667480</id><published>2008-05-07T07:31:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T07:35:13.260-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG98OZjqzI/AAAAAAAAAC8/oQe1H6JmBdg/s1600-h/MAIO+2008+006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197644287317355314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG98OZjqzI/AAAAAAAAAC8/oQe1H6JmBdg/s200/MAIO+2008+006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Louvado seja o homem&lt;br /&gt;Ele existe no leite e vive entre lírios&lt;br /&gt;E ouve-se na música do seu violino,&lt;br /&gt;No leite, e no vazio cremoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvada seja a pétala interna da carne&lt;br /&gt;não exposta&lt;br /&gt;do pensamento suave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvada seja a desilusão, o ondular&lt;br /&gt;Louvado seja o Sagrado Coração da Eternidade&lt;br /&gt;Louvado seja eu, escrevendo,&lt;br /&gt;já morto, e novamente morto”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Jack Kerouak)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7910764041205667480?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7910764041205667480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7910764041205667480' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7910764041205667480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7910764041205667480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/05/louvado-seja-o-homem-ele-existe-no.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG98OZjqzI/AAAAAAAAAC8/oQe1H6JmBdg/s72-c/MAIO+2008+006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-8894042154835325797</id><published>2008-05-07T07:25:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T07:30:09.829-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG8xOZjqyI/AAAAAAAAAC0/RJ_gUPQP5Uw/s1600-h/MAIO+2008+041.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197642998827166498" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG8xOZjqyI/AAAAAAAAAC0/RJ_gUPQP5Uw/s200/MAIO+2008+041.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Não dá pra ser esperto e amar ao mesmo tempo”&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Bob Dylan)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-8894042154835325797?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/8894042154835325797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=8894042154835325797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8894042154835325797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8894042154835325797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/05/no-d-pra-ser-esperto-e-amar-ao-mesmo.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SCG8xOZjqyI/AAAAAAAAAC0/RJ_gUPQP5Uw/s72-c/MAIO+2008+041.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-2324454149216509875</id><published>2008-04-28T11:31:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T11:42:08.370-07:00</updated><title type='text'>):  do e-book "mulheres dançando em êxtase selvagem"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SBYaC_CR7mI/AAAAAAAAACs/4c9ClnuuBI4/s1600-h/SÃO+JORGE+FERIADO+2008+(6).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194367858801503842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SBYaC_CR7mI/AAAAAAAAACs/4c9ClnuuBI4/s200/S%C3%83O+JORGE+FERIADO+2008+(6).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ela era a menininha&lt;br /&gt;que corria descalça&lt;br /&gt;pelas ruas&lt;br /&gt;uma pequena estrela&lt;br /&gt;a ensolarar o bairro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela é espanto nos olhos&lt;br /&gt;é alegria espantada&lt;br /&gt;é feliz, e todos o sabem&lt;br /&gt;ainda criança matava leões&lt;br /&gt;e colocava ovos de dinossauro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela é alegria&lt;br /&gt;ela é potência e fato&lt;br /&gt;pelas ruas, pelas estrelas, pelos olhos&lt;br /&gt;ela vende de graça&lt;br /&gt;flores para os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela não sabia&lt;br /&gt;que a música da vida&lt;br /&gt;é a canção do fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela não sabia&lt;br /&gt;que a vida oscilava&lt;br /&gt;entre ferocidade e compaixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela tinha medo&lt;br /&gt;do lance de amar sem medo:&lt;br /&gt;de o medo aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;uma mulher são frases soltas&lt;br /&gt;são fases de lua pronta&lt;br /&gt;são apontamentos biológicos&lt;br /&gt;são mapas envenenados&lt;br /&gt;mapas de papel fumaça&lt;br /&gt;mapas astrais desmontados&lt;br /&gt;a desconstruir um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela oferece a manga a adão&lt;br /&gt;que chupa a manga&lt;br /&gt;e tira os fiapos dos dentes&lt;br /&gt;enquanto ela morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ressaca de ninfas&lt;br /&gt;em naufrágio&lt;br /&gt;invadindo as areias do paraíso:&lt;br /&gt;vazaram do oceano&lt;br /&gt;que fabrica peixes e gentes&lt;br /&gt;um mundo que fabrica mundos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e elas&lt;br /&gt;com hálito de maresia&lt;br /&gt;com roupa de pele branca nua&lt;br /&gt;não sabem que este paraíso aqui é um inferno&lt;br /&gt;que nosso mundo é de desligamento e espanto&lt;br /&gt;de náufragos mal civilizados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;luciano fortunato&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;escreve para o web-site crônicas cariocas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;a href="http://www.cronicascariocas.com/"&gt;www.cronicascariocas.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-2324454149216509875?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/2324454149216509875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=2324454149216509875' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2324454149216509875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2324454149216509875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/04/do-e-book-mulheres-danando-em-xtase.html' title='):  do e-book &quot;mulheres dançando em êxtase selvagem&quot;'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SBYaC_CR7mI/AAAAAAAAACs/4c9ClnuuBI4/s72-c/S%C3%83O+JORGE+FERIADO+2008+(6).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-2256764691119604369</id><published>2008-04-17T05:37:00.000-07:00</published><updated>2008-04-17T05:47:42.428-07:00</updated><title type='text'>O DIA DO FOGO (PARTE 2: VULCÃO ATIVO)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAdF9qME3JI/AAAAAAAAACk/4J6prMyGyDQ/s1600-h/comeÃ§o+de+marÃ§o+008.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190194021167062162" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAdF9qME3JI/AAAAAAAAACk/4J6prMyGyDQ/s200/come%C3%A7o+de+mar%C3%A7o+008.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;então eles sempre ressuscitam / da cidade destruída de pompéia / destruída como história viva / que teima e não morre /  história com veias expostas a sangrar / seus dobros viajam no espaço-tempo / trazendo pedras-pomes no espírito / e carvão / e enxofre / e cheiro de vulcão / e imagem de estradinha árida / e curvas como sinapses / como amálgamas / como videotape / como espelho mágico / que mente mentiras sinceras trazidas em cesta de moça / cesta com frutas e fita / como bola-de-cristal sincera / que sabe que as boas mentiras / fazem-nos escapar de sermos pedras /   &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e o que é afinal um vulcão / senão a terra se mostrando viva? / corpo. terra. líquidos corporais. lava quente / mil vivas à princesa do cosmo, gaia / e sua fábrica de vulcões a cuspir mel /   &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;viva os ressuscitados / viva os que sonham / viva está a nostalgia highlander / o melhor daquele orgasmo hightech / impregnado de sentimento / de eletricidade abissal / de tremores de pompéia / e de toda terra que já tremeu / de toda cama prestes a quebrar / de todo chuveiro de água benta / a fazer reis e rainhas nus / milagrosamente atravessarem paredes / de toda manhã de incêndio calmo /   &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;eles às vezes se lembram de pompéia / quando o sol os toca a pele /  numa manhã de domingo / quando se coloca uma blusa verde / quando se escreve com minúsculas / pra saber que são pequenos / e que foram engolidos pelo vulcão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-2256764691119604369?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/2256764691119604369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=2256764691119604369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2256764691119604369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2256764691119604369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/04/o-dia-do-fogo-parte-2-vulco-ativo.html' title='O DIA DO FOGO (PARTE 2: VULCÃO ATIVO)'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAdF9qME3JI/AAAAAAAAACk/4J6prMyGyDQ/s72-c/come%C3%A7o+de+mar%C3%A7o+008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-7609095207558631180</id><published>2008-04-16T06:54:00.000-07:00</published><updated>2008-04-16T07:04:21.325-07:00</updated><title type='text'>O DIA DO FOGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAYF6qME3II/AAAAAAAAACc/_UUVx8LvHNk/s1600-h/MARÃO+NUBLADO+SANATÃRIO+066.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189842125906566274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAYF6qME3II/AAAAAAAAACc/_UUVx8LvHNk/s200/MAR%C3%87O+NUBLADO+SANAT%C3%93RIO+066.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;naquele dia havia incêndios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                                      vários focos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;naquele dia ele caminhou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;debaixo de um sol que martelava os pobres humanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;           havia fogo naquele dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                               naquele dia havia água&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                                                     havia sal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                                                     havia água salgada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;               quente e salgada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         que brotava&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     daquele corpo de fêmea amada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;:) então eles se banharam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;na lama quente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pra lavar almas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pra sacodir&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a poeira dos dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;luciano fortunato&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-7609095207558631180?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/7609095207558631180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=7609095207558631180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7609095207558631180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/7609095207558631180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/04/o-dia-do-fogo.html' title='O DIA DO FOGO'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/SAYF6qME3II/AAAAAAAAACc/_UUVx8LvHNk/s72-c/MAR%C3%87O+NUBLADO+SANAT%C3%93RIO+066.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-5120919270772354150</id><published>2008-03-28T06:39:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T11:30:16.722-07:00</updated><title type='text'>Útero 12</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-z2oQlQW_I/AAAAAAAAACU/MvXZzyFnzH8/s1600-h/Capa+CD+LUCIANO+-+FEVEREIRO+2006+017.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182788442703027186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-z2oQlQW_I/AAAAAAAAACU/MvXZzyFnzH8/s200/Capa+CD+LUCIANO+-+FEVEREIRO+2006+017.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estamos no município de Mendes, interior do Estado do Rio. À nossa frente o imponente Túnel 12. Estou de pé, com os braços cruzados, entre os trilhos que saem do orifício na montanha como se fossem estes uma língua, e eu olhando para ele, olhando para aquela boca. Boca, pelo fato de ele muito falar. Este túnel fala – com sua voz que é o silêncio da brisa quase imperceptível que sopra; com as vozes dos fantasmas daqueles que trabalharam em sua construção; com o grito da locomotiva que vem poluir e enfeitar o nosso pequeno bairro, Humberto Antunes. Mas às vezes penso nele não como uma boca, mas como uma vagina. Dali nasceu nossa cidade. Dali nasceu a nossa quota de projeto de Brasil.&lt;br /&gt;Saibam: o Túnel 12 ostentou por muito tempo o posto de maior túnel ferroviário do mundo.&lt;br /&gt;Fico pensando na época, logo após sua inauguração, quando Dom Pedro II o atravessou a pé, quase três quilômetros montanha a dentro, vindo do município de Engenheiro Paulo de Frontin em direção a Mendes.&lt;br /&gt;Eu estive conversando com meus amigos sobre um plano meu, que é fazer do Túnel 12 um ponto turístico. Faríamos incursões a pé pelo seu interior – como fez Dom Pedro II. Os turistas usariam capacetes com lanternas. Eu, como guia, os levaria até o útero da minha terra, a matriz de quase toda alma que habita este lugarejo: a minha gênese escura e úmida – é úmido lá dentro.&lt;br /&gt;Mas há um problema. E quanto aos trens? Pediríamos à empresa que hoje é proprietária de toda a rede ferroviária para dar um intervalo com os trens? Ou teríamos um turismo de aventura, fazendo do risco do atropelamento por uma locomotiva um ingrediente a mais para animar os turistas? Como um monte de espermatozóides entrando em uma vagina sem camisinha.&lt;br /&gt;O Túnel 12 é o meu elo místico com o que eu poderia chamar de amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Luciano Fortunato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-5120919270772354150?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/5120919270772354150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=5120919270772354150' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/5120919270772354150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/5120919270772354150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/03/tero-12.html' title='Útero 12'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-z2oQlQW_I/AAAAAAAAACU/MvXZzyFnzH8/s72-c/Capa+CD+LUCIANO+-+FEVEREIRO+2006+017.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-2330933425773976697</id><published>2008-03-25T21:54:00.000-07:00</published><updated>2008-03-25T21:58:20.723-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;como o mámore não talhado é rico em escultura"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Aldous Huxley&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-2330933425773976697?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/2330933425773976697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=2330933425773976697' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2330933425773976697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/2330933425773976697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/03/o-silncio-est-to-repleto-de-sabedoria-e.html' title=''/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-371249796993951221.post-8715625231215617011</id><published>2008-03-22T19:43:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T06:05:54.543-07:00</updated><title type='text'>a última bolacha</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-XKUglQW2I/AAAAAAAAABE/uoubPpjMnTU/s1600-h/celular+mais+recentes+007.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180769400052013922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-XKUglQW2I/AAAAAAAAABE/uoubPpjMnTU/s200/celular+mais+recentes+007.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-XHWAlQW1I/AAAAAAAAAA8/L_VpS9NSQkk/s1600-h/celular+mais+recentes+007.gif"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;aqui no rio é biscoito&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;em são paulo é bolacha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;a farinha é a mesma&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;é do mesmo saco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;o recheio varia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;mas não de acordo com o lugar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;não necessariamente&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;o recheio hoje é globalizado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;assim como o amor:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;o amor hoje é globalizado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;amor hoje é mercadoria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;ele está sujeito&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;está sujeito ao cinema&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;à globo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;à caras&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;ao shopping&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;aos cadernos culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;às cadeiras das universidades&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;às carteiras dos endinheirados&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;com seus dinheiros de plástico&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e seus dinheiros eletrônicos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;dinheiro que tudo compra&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;dinheiro que, segundo o velho nelson,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;compra até amor verdadeiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;dinheiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;dinheiro, quem é você?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;no leblon não há mais inocentes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e o amor é vazamento de navio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;é óleo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;é óleo escuro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;é contaminação provocada&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;não vem como chuva&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;vem como sabotagem&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;mas, apesar de tudo,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;é ele, o amor,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;o melhor recheio para uma bolacha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;biscoitos finos não podem ter sabor de fel&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;andei evitando essa palavra em poema&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;isso faz uns tempos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;só que de uns tempos pra cá ela voltou&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e voltou não menos carente de significado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;mas voltou&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e eu não posso evitá-la&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;pois é – e sempre foi – a palavra que me escolhe&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e não o contrário&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;a palavra tem mais vida que eu&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e tem desejos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e tem história&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;e quem sou eu frente a ela?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;sou um nada&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;sou um merda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;sou um casanova teórico de merda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;um brasileiro de merda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;sou um pseudo-brasileiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;um pseudo-eu&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;strong&gt;sou farelo de biscoito.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#660000;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;luciano fortunato&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffff99;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;poeta, cantador, web-escritor e cronista musical &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;do website crônicas cariocas &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cronicascariocas.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;www.cronicascariocas.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/371249796993951221-8715625231215617011?l=lucianofortunato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/feeds/8715625231215617011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=371249796993951221&amp;postID=8715625231215617011' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8715625231215617011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/371249796993951221/posts/default/8715625231215617011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lucianofortunato.blogspot.com/2008/03/ltima-bolacha.html' title='a última bolacha'/><author><name>Luciano Fortunato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16637450834266842565</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_06MtQZ8T_uM/SEP5usBhbBI/AAAAAAAAAD8/-2ccJBU6fCw/S220/FORRO+DO+QUARTO+017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_06MtQZ8T_uM/R-XKUglQW2I/AAAAAAAAABE/uoubPpjMnTU/s72-c/celular+mais+recentes+007.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
